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Atualizado às: 07 de junho, 2004 - 18h01 GMT (15h01 Brasília)
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Bush, como Reagan, é subestimado

Ronald Reagan
Reagan, que morreu sábado, era visto como um grande comunicador
George W. Bush é filho de um presidente, mas é herdeiro ideológico de um outro, Ronald Reagan, que antecedeu seu pai na Casa Branca. Mas ambos têm muito mais em comum.

A onda de nostalgia que marca a morte do quadragésimo presidente americano, pelo menos nos EUA, peca pela idolatria, mas aqui e ali nos faz relembrar como Reagan era caricaturado e subestimado.

A tradição continua. George W. Bush de fato é herdeiro de Reagan: caricaturado e subestimado pela esquerda, pelos liberais e pelas elites acadêmicas. Fora dos EUA, claro que os sentimentos e preconceitos são muito mais intensos. É um tratamento que mescla furor e condescendência.

Lá estão as imagens do filme. Reagan e Bush são companheiros de uma cavalgada pontilhada por falta de curiosidade intelectual, preguiça para trabalhar, a truculência ideológica de caubóis e o simplismo da mensagem política.

No seu maniqueísmo e idéia fixa, Reagan investiu contra o império do mal. O negócio de Bush é o eixo do mal. Reagan era obcecado por comunistas e altos impostos para os ricos. Bush, por terroristas islâmicos e altos impostos para os ricos.

Estereótipos

É fascinante ver como os estereótipos se cristalizaram no caso de Reagan. Ele era um profissional de filmes B de Hollywood e um amador nas artes da política. A segunda carreira decolou porque ele sabia encenar. É subestimação das mais profundas. Reagan era profundamente ideológico. Sua simpatia e desatenção escondiam seriedade e determinação.

A chegada de Reagan em Washington culminou uma longa cavalgada política e o sucesso não aconteceu apenas porque ele era o "grande comunicador". O momento histórico atuava a favor de Reagan para, no plano doméstico, a implantação de uma guinada conservadora que desafiasse o legado de Franklin Roosevelt e, internacionalmente, um confronto mais agressivo com o falido comunismo soviético.

Ser subestimado tem uma grande vantagem. Não exige esforços descomunais para corresponder às altas expectativas. Mais do que isto, os adversários são surpreendidos. Executivos como Reagan e Bush são vistos como gente manipulada por seus assessores ou presidentes basicamente atuando como marionetes de lobbies econômicos e ideológicos. Para os detratores, Reagan tinha cérebro de jujuba e o cérebro de Bush é o do vice Dick Cheney.

Os respectivos predecessores de Reagan e Bush - os democratas Jimmy Carter e Bill Clinton - eram maníacos por detalhes. Tinham capacidade de discutir por horas as minúcias de uma nova política tributária. No entanto, é inegável que Reagan sabia negociar. Basta perguntar para Mikhail Gorbatchev.

Ignorância, simplismo e preguiça nao devem ser traduzidos como inoperância. O legado de Reagan inclui desastres como o escandalo Irã-Contras (que ameaçou se converter no seu Watergate), mas os objetivos foram concretizados no que o ex-presidente considerava fundamental: uma revolução conservadora dentro de casa e a derrubada do muro de Berlim (meses após sua saída do poder).

Para aqueles que subestimam George W. Bush há um consolo. O atual presidente veste o manto do seu mentor ideológico, mas ele ainda nao é Ronald Reagan. Pode passar à historia como uma caricatura.

Ronald ReaganRonald Reagan
Confira o especial da BBC Brasil sobre o ex-presidente.
Ronald Reagan nos anos 40Em imagens
Reagan foi astro de cinema antes de ser presidente.
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