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Morre nos EUA o ex-presidente americano Ronald Reagan | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan morreu neste sábado aos 93 anos em sua casa em Los Angeles. Reagan terá um funeral de chefe de Estado em Washington e será enterrado na Biblioteca Presidencial Ronald Reagan, em Simi Valley, na Califórnia. Ronald Reagan – que foi presidente entre 1981 e 1989 – sofria de Mal de Alzheimer e não era visto em público havia anos. Ele estava tentando se recuperar de uma pneumonia. “Minha família e eu gostaríamos que o mundo soubesse que o presidente Ronald Reagan morreu depois de dez anos de Mal de Alzheimer, aos 93 anos. Nós agradecemos as orações de todos”, disse a viúva do ex-presidente, Nancy Reagan, em uma nota. Thatcher
Na França, o atual presidente americano, George W. Bush, lamentou a morte do ex-mandatário. “Ele deixa para trás uma nação que ele restaurou e um mundo que ele ajudou a salvar”, disse Bush.”Sob sua liderança, o mundo abandonou uma era de medo e tirania.” O governo Reagan – que ocupou a Casa Branca por dois mandatos consecutivos, de 1981 a 1989 – marcou, segundo analistas, o começo do fim da União Soviética (que iria deixar de existir em 1991) e da Guerra Fria. No mês passado, Nancy Reagan anunciou que a doença do marido havia piorado. “A longa jornada de Ronnie (apelido de Reagan) o levou para um lugar distante, onde não posso mais alcançá-lo”, disse ela. Na Inglaterra, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher – uma aliada de Reagan durante os anos 80 – disse que Reagan foi um dos seus amigos pessoas pessoais mais próximos, e que ele era um “verdadeiro herói americano”. Thatcher disse que a ausência de Reagan vai ser sentida não apenas nos Estados Unidos, mas também por milhões de homens e mulheres que vivem com liberdade por causa das políticas que ele defendeu. “Ronald Reagan podia dizer, mais do que qualquer outro líder, que havia derrotado a Guerra Fria em nome da liberdade e ele fez isso sem que um tiro fosse disparado”, disse a ex-primeira-ministra britânica. Trajetória Nascido em 1911, Ronald Wilson Reagan estudou economia e sociologia na escola secundária e trabalhou como locutor de rádio na sua juventude.
Em 1937, ele fez um teste em Hollywood e ganhou seu primeiro papel no cinema. Durante as duas décadas seguintes, ele apareceria em 53 filmes diferentes. Ainda quando era ator, Reagan começou a se envolver mais com a política, assumindo a presidência da organização de atores de cinema. Em 1966, Ronald Reagan foi eleito governador da Califórnia, sendo reeleito em 1970. Dez anos depois, ele foi indicado pelo Partido Republicano como candidato à presidência. Nas eleições, venceu o democrata Jimmy Carter, que tentava a reeleição. Em seu discurso da vitória, Reagan disse que, apesar de ter quase 70 anos, estava confiante de que realizaria um bom trabalho. Em vinte de janeiro de 1981, apenas 69 dias depois de ser eleito, Reagan foi vítima de uma tentativa de assassinato, em Washington. O atentado deixou o presidente seriamente ferido, mas não teria graves conseqüências políticas para Reagan. Pelo contrário: encarando o atentado com bom humor, Reagan conseguiu aumentar sua popularidade ainda mais. Gafes O bom humor sem dúvida seria uma das marcas de Reagan, assim como as várias gafes que ele cometeu. Uma delas, inclusive, atingiria em cheio o orgulho dos brasileiros. Em 1982, em um banquete durante uma visita a Brasília, Ronald Reagan se levantou e propôs um brinde ao "povo da Bolívia". Percebendo rapidamente a gafe, Reagan tentou corrigir, dizendo que a Bolívia seria o próximo país que iria visitar na sua viagem pela América Latina. Mais uma gafe: depois do Brasil, o presidente americano seguiria para a Colômbia, Costa Rica e Honduras. A Bolívia não estava prevista no roteiro. A população americana recebeu bem a política de Reagan de diminuir os impostos e buscar crescimento econômico através da maior produção de bens e serviços. Tudo isso levaria Reagan e seu vice, George Bush, a serem reeleitos em 1984, com um número de votos sem precedentes na história das eleições presidenciais americanas. Guerra fria No segundo mandato, Reagan priorizou no campo externo a melhoria das relações com a União Soviética. Em 1985, um encontro entre Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachov em Genebra marcou o início da distensão entre os dois países. Em 1987, os dois líderes assinariam o histórico tratado em que concordaram eliminar seus arsenais de mísseis nucleares de alcance médio. Entre 1986 e 1987, Reagan enfrentaria um escândalo que quase teve conseqüências desastrosas para o seu governo: o escândalo Irã/Contras. O inquérito final sobre o escândalo, apresentado em novembro de 1987, inocentou Reagan pessoalmente, mas recriminou o presidente por não ter controle sobre as decisões tomadas pelos seus assessores. Apesar do escândalo, Ronald Reagan deixou a presidência em 1989 como um dos mais populares líderes americanos de todos os tempos, sendo substituído pelo seu vice, George Bush, o pai do atual presidente, George W. Bush. Em 1994, Reagan assumiu publicamente que era vítima do mal de Alzheimer - uma doença degenerativa do cérebro que provoca tremores, rigidez muscular, demência e perda de memória. No início de fevereiro, Reagan fez 93 anos. |
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