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Feijoada com copirraite | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Sigamos o exemplo dos italianos. Em vez de pronunciar Palocci, rimando “não se coce”, digamos Palocci, rimando com “calote”. Em vez de inventar pizza com dendê ou cupuaçu, essas americanalhices, vamos botar a mão na massa e preservar a integridade do popular produto, hoje patrimônio mundial, dando-lhe a necessária proteção do STG, ou seja, o selo de Especialidade Tradicional Garantida. É assim que os franceses fazem com seus vinhos, é assim que deveríamos fazer com nossa feijoada, nosso vatapá, nosso pato no Tucupi. Vamos destrinchar essa pizza. O que há é o seguinte: o Parlamento italiano está examinando um projeto de lei que estabelece regras para proteger a verdadeira pizza Napolitana. Em outras palavras, fazer feito aconselhava aquele velho comercial, de não sei mais que produto, que dizia, “Não aceite imitações!” Em oito artigos, seis cláusulas e nenhum pedaço de pêra ou abacaxi, o equivalente italiano ao nosso Diário Oficial deixou bem claro em seu texto o que constitui uma verdadeira, una vera, pizza Napolitana. A pizza Napolitana, segundo o projeto de lei, deve ser redonda, com um diâmetro de 35 centímetros no máximo. O centro não deve superar 3 milímetros de espessura e a borda dois centímetros. A popular Margarita não pode levar outro tipo de mussarela a não ser a produzida nos montes Apeninos do sul. Nada de rolo de amassar, que isso é blasfêmia. Uso de máquina? Heresia. É tudo à mão. Mão italiana, de preferência. Essa, a rigor e à paisana, a verdadeira pizza Napolitana. No exterior, cada vez mais repleto de brasileiros, todos morrendo de saudades nos cinco sentidos, principalmente o paladar, uma das maneiras de se ganhar a vida é cozinhando para a colônia. Em Nova York, Londres e – por que não? – Roma, é gente carregada de “quentinhas” atravessando a cidade na hora do almoço. E tome feijoada fajuta, vatapá fajuto, pão de queijo fajuto, cuscuzes paulista e baiano igualmente fajutos. Isso vai acabar dando um mau nome não só à nossa cozinha, mas também nossas cozinheiras e gourmets. Fome zero? De acordo. Cozinha típica autêntica e com copirraite obrigatório? Ainda mais de acordo. |
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