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Haiti: Ói nóis lá! | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Sensacional. 1,2 mil soldados brasileiros no Haiti. Tudo mantendo a paz, tudo prestando ajuda humanitária. Igualzinho a gente faz com nossas favelas, confere? O que me dana é a língua ferina dessa gente que mais parece correspondente do New York Times. Não pode ver nosso pendão desfraldado, em concerto de despedida do Pavarotti ou em disputa de Fórmula 1, para ficar caçoando e declarando despatriotismos. Não é verdade que os bravos 1,2 mil soldados da pátria amada estejam fazendo o servicinho sujo que Estados Unidos e França (ué, não tinham trocado de mal?) querem moitar. Tutu mais bem empregado do que esses propalados RS$ 150 milhões investidos na chefia da missão estabilizadora só mesmo o investido no chamado Air Force One de nosso digníssimo presidente da Silva, uns míseros R$ 176.947.605, a serem pagos em sete razoáveis prestações. Cadeira na ONU O que ninguém percebeu é que o esquema haitiano poderá nos render – finalmente! – o longamente desejado e seguidamente pleiteado lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Somos apenas um pouquinho menores (ou maiores, tanto faz) em tamanho e safarnagem do que a Índia. Verdade seja dita, também ainda não possuímos arsenal nuclear, mas não está longe o dia em que lá chegaremos triunfantes como um Guga no saibro ou um Ronaldo no gramado, graças à inventividade de nossos cientistas e o know-how dos Fogos Caramuru (“Os únicos que não dão chabu”). Que fique claro que nossa bomba atômica não será construída na base da licitação, como deixou claro, no caso do Airbus presidencial, o Ministério da Defesa, alegando a necessidade de sigilo absoluto para evitar riscos à segurança nacional. Segundo um porta-voz, destarte (os ministérios falam assim) estamos protegendo a vulnerabilidade do mais pesado que o ar (ministérios de novo) contra ataques terroristas. Sejamos brutalmente francos, um país visado por terroristas merece ou não a tal cadeira cativa na ONU? A cadeira virá. Tão certo como são três as copas do lulífero avião presidencial, com sua banheira, DVD, poltronas executivas e TV com tela plana. Está prestes a sucumbir nosso último obstáculo no cobiçado trono da plena imagem cristalina e positiva no exterior. Oremos todos pelo sucesso da missão dos nobres 1,2 mil no Haiti, onde, já contam, diz-se, com a “plena empatia” do generoso e sofredor povo haitiano, coisa e tal. |
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