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Atualizado às: 24 de maio, 2004 - 08h32 GMT (05h32 Brasília)
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Línguas ameaçadas e ameaçadoras
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Há no mundo em que vivemos cerca de 6 mil línguas diferentes. O professor Daniel L. Everett, do departamento de linguística da Universidade de Manchester, calcula em 6.800.

Segundo ele, elas são “mutualmente ininteligíveis”, ou seja, aí estamos de novo em plena Torre de Babel, com gente soltando foguetes em homenagem ao monoglotismo.

O mesmo professor atesta o que todos sabemos: muitas línguas deixaram de existir, outras estão apenas começando a engatinhar.

O ilustre mestre passou 25 anos em plena pesquisa de campo (ou de floresta amazônica, melhor dizendo) tendo tido, segundo suas palavras, o “privilégio” de passar seis anos em aldeias dos Pirahã e outros grupos, tais como os Banawás, ambas tribos amazônicas mestras em confeccionar o letal veneno curare, o resultado de séculos de trabalho e experiência.

As línguas das duas tribos são das ameaçadas de extinção.

Pena que o professor Everett não tenha passado algumas semaninhas no Rio ou em São Paulo, apenas lendo jornais e revistas, ouvindo rádio e vendo televisão – se presumirmos que ele não seja monoglota e, além de fluente no linguajar das duas tribos que tanto ama, conheça um mínimo suficiente de português do Brasil para conferir a quantas andamos. Ou nos esborrachamos.

Eu, de minha parte, reajo ao que fizeram de – e com – nossa língua, como o pessoal do tráfico quando um representante da lei, da moral e dos bons costumes se aventura favela adentro: mando bala.

Ao menos, em virtude dessa distância toda, figurativamente.

Não citarei exemplos. Isso é cansativo e outros lidam com a questão melhor do que eu.

Vou pelo ouvido e pelo pouco contato profissional que ainda sou obrigado a ter em certos setores.

Digo apenas uma coisa: na semana passada constitui novos advogados, uma vez que a mocinha que vinha cuidando de uma questão chata, que me atormenta há anos, enviou o que chama de “mail” (ela quer dizer e-mail, palavrinha de boa estirpe neo-latina) falando em estar “ao par” e mencionou suas “tratrativas”.

Aí vi que não dava mesmo, que meu caso não tinha e não teria nunca solução com ela à testa (boa expressão) dos trabalhos.

Vou procurar um Pirahã ou Banawá que quebre meu galho jurídico.

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