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Atualizado às: 17 de maio, 2004 - 12h12 GMT (09h12 Brasília)
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Ivan Lessa: As guerras e os cifrões
Ivan Lessa
A turma que protesta contra a ocupação do Iraque vive exclamando em seus cartazes que o negócio, no fundo das areias escaldantes, era petróleo, aliás sempre encontrado em fundos. Ou seja: granolina, money.

Convencionou-se chamar de guerra o que por lá se passou. Eufemismos. Feito os maus-tratos e abusos, que boa parte da mídia insiste em chamar de "tortura". Ou os resistentes iraquianos, que são ou "terroristas" ou "combatentes ilegais".

Os brasileiros, que gostam tanto de imitar som e sintaxe americana, bem que poderiam adotar "combatentes ilegais" para se referir aos traficantes de drogas.

Seria uma maneira de resolver o problema sem processo ou prisão: bastava mandar bala, economizando assim uma fortuna para o governo.

Eu falei em fortuna. Pois é. Um relatório recente do Serviço de Pesquisas do Congresso americano andou fazendo suas contas e os resultados são "great", como tudo que vem dos Estados Unidos.

As ações bélicas (olha o eufemismo!), no Iraque e no Afeganistão, contra as forças do mal, custaram, até agora, 165 bilhões de dólares, sem contar os 25 bi ainda recentemente requisitados pela gente boa de Bush.

Essa quantia, se nós, brasileiros, a tivéssemos à mão, daria para transformar nosso Nordeste num jardim florido.

Nosso governo, que lida mais com batismos de inações do que com realidades, chamaria de "Operação Jardim de Amores", e estaríamos conversados.

Prosseguindo com as contas marciais: a pesquisa, em inspirada jogada, detonou em dólares de hoje também outros conflitos em que os Estados Unidos estiveram envolvidos ontem.

A revolução americana foi uma pechincha, saindo pela módica quantia de apenas 3 bilhões e 200 milhões. De dólares, claro. A guerra civil, aquela de E o Vento Levou..., foi um pouquinho mais cara: 72 bi.

A primeira Guerra do Golfo, a de 91, não teve liquidação com "Papai Noel ficou maluco" ou "salvados do incêndio": 82 bi, mas não está claro se entra no esquema a vaquinha de então, o tutu que a gente boa da coalizão deixou na mesa, como se satisfeita com o garçom.

Curioso, mas Vietnã e Primeira Guerra Mundial quase que empatam, foi pau a pau: 584 bi o primeiro, 588 bi o segundo.

Mas na frente desse fuzuê todo, ela a campeoníssima, a seleção deca-campeã de todos os tempos – a Segunda Guerra Mundial, cujo passe custou quase tanto quanto os passes de Ronaldo e David Beckham juntos, rendendo mais na bilheteria que filme de Brad Pitt: 4 trilhões e 800 bilhões de dólares.

Agora, que foi um bom investimento, lá isso foi.

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