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Tortura e cachaça | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A respeito da polêmica reportagem do correspondente americano Larry Rohter, do New York Times sobre o consumo de bebidas alcoólicas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não só acompanhei os protestos indignados do Planalto, como também ouvi as opiniões de brasileiros residentes em Londres. Entre uma e outra incursão a um auriverde evento, nesse mês de Brasil 40 graus, patrocinado pela loja de departamentos Selfridges, busco opiniões, cato informações. Ao contrário do New York Times, não cito nomes. Minhas fontes são límpidas e murmurantes, segundo praxe do samba-exaltação e do jornalismo de escol, ao contrário da publicação americana, ainda agora envolvida em rumoroso caso de plágio, por parte de um de seus jornalistas, e que resultou em demissões e reformulações básicas no outrora conceituado jornal. Quem me lembrou do fato foi um estudante de línguas a caminho da Selfridges a fim de matar saudades de uma caipirinha e um pão de queijo. Chamemo-lo de Nassir Boaventura. Ou Rebolo de Campos, tanto faz. Indignado, os dois, digo, o um, Nassir, me lembra que isso tudo não passa de uma cortina de fumaça, uma tentativa de, conforme disse em seu linguajar pitoresco, “cobrir a tortura com a peneira”, numa clara alusão ao que vem se passando nas prisões iraquianas e sendo noticiado com destaque pela imprensa mundial. A companheira de Nassir, ou Rebolo, Neide de Tal, argumentou: “Eles não se mancam, os americanos. Eles não estão com nada”. Rebolo, ou Nassir, lembrou que, além do mais, o jornalista Larry Rohter errou feio ao citar outro presidente Silva, que, dizem as más-línguas, também caneava: Jânio da Silva Quadros. Segundo o Times, Jânio, “bebedor manifesto”, teria dito o seguinte: “Bebo porque é líquido”. Ora, todos nós sabemos – fui obrigado a desviar-me da isenção e concordar com Nassir, ou Rebolo – que Jânio complementou seu bon mot afirmando que “se fosse sólido, comeria”. K.M., do Crato, Ceará, passando por nós, comentou que uma das fontes do correspondente era nada mais nada menos que Leonel Brizola que, segundo ele, K.M., não manja nada de cachaça. “O negócio do Brizola é chimarrão. Cachaça, ele está por fora.” E complementou cantarolando aquela velha marchinha: “Cachaça vem do alambique e água vem do Ribeirão”. “Rá, rá, rá!”, arrematou, debochado, K.M. do Crato. Estas linhas são o que, para mim, constituem o verdadeiro e saudável jornalismo. E de cara limpa e sem plágios, viu, New York Times? |
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