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Jornalista inglês pede respeito ao sionismo humanista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As palavras de David Horovitz são duras, mas precisas. É esta combinação que torna o seu livro irresistível. Um veterano jornalista inglês radicado em Israel, editor da respeitada publicação Jerusalem Report, Horovitz é um narrador amargurado dos sonhos estilhaçados da paz com os palestinos e dos dilemas políticos e morais que têm marcado os últimos três anos de conflito. Este livro sobre Israel na era do terrorismo humaniza uma história complexa. Horovitz chega a nos anestesiar com sua narrativa infatigável sobre a vida como uma loteria em Israel desde 2001. É preciso estar lá para absorver o que é viver "normalmente" sob a nuvem constante das bombas suicidas. Atos rotineiros e prosaicos como escolher um restaurante, um shopping center ou uma linha de ônibus criam dimensões dramáticas para um cidadão israelense. Dá até para entender as razões que levaram muitos a viver em cavernas mentais ou simplesmente ignorar o noticiário. Como diz Horovitz, esta é uma nação "atemorizada, entristecida e ferida''. Mas tem uma gente obstinada. Tentação O inglês Horovitz ama a terra que escolheu. Como tantos que optaram em fazer de Israel o seu lar, ele está determinado a ficar, apesar da tentação de retornar à paz de onde veio. Suas conversas com pais israelenses sobre o futuro dos filhos são especialmente comoventes. Estamos diante de pessoas comuns e suas escolhas de vida acabam se tornando extraordinárias. Vamos deixar claro que Horovitz é um patriota israelense, mas não está cego às pessoas "do outro lado". Embora o foco seja o impacto da Intifada nos seus compatriotas, Horovitz expressa abertamente simpatia pelos palestinos que "estão sofrendo sob as duras medidas de segurança impostas por Israel". E ninguém é poupado no seu indiciamento. Ele questiona a política de sucessivos governos trabalhistas e do Likud que trouxe mais de 200 mil colonos para os territórios ocupados e o custo político e moral do "assassinato seletivo" de palestinos. Mas os três anos de violência destruíram a confiança de Horovitz na liderança palestina. No final das contas, ele se considera firmemente do lado do "novo consenso israelense", que culpa Yasser Arafat pelo colapso dos esforços de paz, e estima que a possibilidade de coexistência entre os dois povos está descartada por uma ou duas gerações. Uma das grandes qualidades do livro é a ausência de uma agenda ideológica ou partidária da parte de alguém que ainda se considera esquerdista. Nas palavras dele, "minha conexão com esta terra não é inspirada pela religião de uma forma muito profunda. É uma conexão que nasceu da minha consciência das raízes religiosas e históricas da minha família e do meu povo, da minha identificação ferrenha com o destino do meu povo e do meu desejo de ser parte da reconstrução da minha pátria". Estamos, portanto, diante de uma narrativa passional e cândida, recheada de convicções e de uma avaliação crítica da terra que ele ama. Horovitz é um escritor sionista e humanista. Como precisamos de gente com esta categoria. Still Life with Bombers, de David Horovitz, Alfred Knopf, 266 páginas, US$ 25 |
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