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Atualizado às: 30 de junho, 2003 - 17h01 GMT (14h01 Brasília)
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Dia 7: Petrolina cresce com produção de frutas para exportação
O repórter Paulo Cabral experimenta um coco de Petrolina
O repórter Paulo Cabral experimenta um coco de Petrolina

O repórter Paulo Cabral percorre os Rios das Velhas e São Francisco seguindo os passos do explorador Richard Burton quase 150 anos depois. Ele conta diariamente o que encontra no mesmo caminho.

Clique no dia para ler o relato

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Dia 7 - Quilombo do Rio das Ras (BA) a Petrolina (PE)

Capitão Richard Burton, em Juazeiro (BA), em outubro de 1867: "A cultura de uvas dificilmente vai dar certo nesta região em que a estação quente é também a chuvosa. Os cachos de uva vão ter sempre parte do frutos maduros, outra parte meio-maduros e outra parte verdes, bons para produzir apenas ótimo vinagre."

As frutas produzidas nas verdes plantações de Petrolina, em pleno coração do sertão são deliciosas quando compradas nos supermercados do Brasil e do mundo – a maior parte da produção é destinada à operação. Mas experimentar uma daquelas uvas, goiabas, mangas ou cocos debaixo do pé, ao lado do orgulhoso fanzendeiro, é incomparável.

São diversas as cidades ao longo do Rio São Francisco que produzem frutas para a exportação - graças à irrigação com as águas do Velho Chico no que antes era apenas a árida caatinga – sertaneja. Mas Petrolina é o melhor exemplo da transformação que o sistema pode operar numa área pobre e sofrida.

Mapa

Quando Burton passou por esta região, Juazeiro era uma grande e importante cidade, mas bem a frente dela – do outro lado do rio, onde hoje está Petrolina – Burton não viu nenhuma comunidade digna de nota. Hoje, Juazeiro ainda é uma importante cidade do sertão baiano, mas foi ultrapassada de longe pelo desenvolvimento da pernambucana Petrolina.

Impacto ambiental

Embora retirar água de um rio sempre vá ter algum tipo de impacto ambiental, os métodos desenvolvidos pelas comunidade de fazendeiros em Petrolina conseguiram reduzir – e continuam reduzindo - ao mínimo a perda de água.

Mas há um lado negativo do acesso mais fácil ao precioso líquido: a falta de cuidado que a facilidade pode acabar criando. Em postos de gasolina da região, mais de uma vez simpáticos frentistas se dispuseram a limpar meu carro da poeira acumulada em constantes viagens por estradas de terra.

Plantações de bananas no interior pernambucano
Plantações de bananas no sertão pernambucano

No entanto, ao invés de esfregar o carro e usar um mínimo de água para limpeza, o hábito corrente é simplesmente usar uma mangueira ou regador para tirar toda a terra.

A irrigação pode ser uma solução para grandes áreas do sertão nordestino, desde que feita com cuidado técnico e sem os interesses políticos que comumente atrapalham estes projetos de grande visbibildade e apelo social.

E a sociedade tem de se convencer de uma vez de que pode usar os recursos que a natureza oferece, mas com cuidade. É chavão, mas nada resume tão bem o desenvolvimento sustentado: sabendo usar, não vai faltar.

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