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Atualizado às: 30 de junho, 2003 - 16h15 GMT (13h15 Brasília)
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Dia 6: Quilombolas do século 21 tentam preservar a sua cultura própria
Jovens dançam no Quilombo do Rio das Ras
Jovens dançam no Quilombo do Rio das Ras, no sertão baiano

O repórter Paulo Cabral percorre os Rios das Velhas e São Francisco seguindo os passos do explorador Richard Burton quase 150 anos depois. Ele conta diariamente o que encontra no mesmo caminho.

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Dia 6 - Bom Jesus da Lapa (BA) ao Quilombo do Rio das Ras (BA)

"Se uma escrava tivesse relações sexuais com um escravo e o dono deles, descobrisse, a mulher era pregada pelo lábio na porta da senzala por vários dias para servir de exemplo para os outros", me contou Moisés Cândido da Silva, o professor Zezinho, o lider informal do Quilombo do Rio das Ras, perto de Bom Jesus da Lapa, no sertão baiano.

Histórias como essa, passadas de geração em geração só deixam mais claros – coisa no fundo desnecessária – os motivos que levavam os negros presos e humilhados nas fazendas a fugirem sertão adentro e a procurarem os recantos mais isolados e de difícil acesso para formarem seus quilombos.

Richard Burton se referiu aos quilombos como locais em que se escondiam bandidos negros, numa das maiores incompreensões do explorador inglês – que, em geral, fez observações interessantes e pertinentes - do que se passava no Brasil durante as viagens dele.

Mapa

Os quilombos eram, na verdade, fortalezas para proteger a liberdade do negros e permitir que em meio a hostilidade da sociedade escravista, uma vida digna e mais próxima de sua cultura – primeiro, africana, e, depois, afro-brasileira – fosse vivida.

Luta quilombola

Ainda há espalhadas pelo país dezenas de comunidades quilombolas remanescentes, que da luta contra a escravidão passaram agora à luta contra o preconceito racial. Elas tiveram uma grande vitória quando a Constituição de 1988 lhes garantiu o direito a posse das terras que ocupam. Mas isto é só começo.

Continua em muitas destas comunidades a luta com os fazendeiros que se recusam a deixar as terras. Em Rio das Ras, felizmente, o assunto já está resolvido e os projetos agrícolas da comunidade sendo desenvolvidos. E a original cultura quilombola tem de competir – dificilmente em condições de igualdade – com a informação que chega de fora através de antenas parabólicas.

Membros da comunidade participam de treino de capoeira
Membros da comunidade participam de treino de capoeira

Os quilombolas do século 21 se esforçam para preservar – ou mesmo recriar – a cultura de seus antepassados e desenvolver a economia de suas comunidades, em especial a agricultura, para ganharem a dignidade de uma vida acima da pura subsistência.

Para minha visita ao Rio das Ras, a comunidade se reuniu para mostrar as músicas que está produzindo e seus treinos de capoeira – a arte marcial que antes e hoje prepara mente e corpo para a luta pela liberdade.

Tive até a oportunidade de jogar com eles, os descedentes diretos dos mestres desta arte, a minha fraca e iniciante capoeira. Saí de lá com um pouco de dor nas costas, mas com um gosto da liberdade no peito.

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