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Dia 11: Repórter chega à foz do São Francisco
O repórter Paulo Cabral percorre os Rios das Velhas e São Francisco seguindo os passos do explorador Richard Burton quase 150 anos depois. Ele conta diariamente o que encontra no mesmo caminho. Clique no dia para ler o relato.
--- Dia 11 - Porto das Piranhas (AL) Burton, sobre a viagem de Paulo Afonso até o Oceano Atlântico: “Minha tarefa foi cumprida. Ganhei o meu prêmio e a minha força se esvaiu. Dois dias de uma viagem tediosa e monótona me levaram ao Porto de Piranhas (e ao Oceano Atlântico)”. Como foi longo o caminho de Paulo Afonso até o Atlântico! Primeiro, tive de relaxar às margens do lago da usina de Xingó tomando um suco de goiaba bem gelado. Poucos quilômetros depois, desfrutei da hospitalidade do Batalhão de Meio Ambiente da Polícia de Alagoas, incluindo um delicioso almoço caseiro preparado por um dos sargentos. Ah, fiz tambem uma visita à agradavel cidade de Piranhas e mergulhei na praia fluvial de lá, felizmente sem piranhas.
Na manhã seguinte, já à beira da praia, fui praticamente obrigado a pegar um barco – com uma bela rede armada – para chegar à foz do São Francisco. E, chegando lá, passei pelas dunas de areia dourada ao som dos coqueiros balançando ao vento e ao gosto da cocada com maracujá vendida por doceiras na praia. Burton classificou este trecho de sua viagem de “tedioso e monótono”, mas eu confesso que nem achei tão mal assim. Turismo incipiente No tempo de Richard Burton, o turismo ainda engatinhava. As pessoas viajavam por necessidade e quase nunca por puro gosto. Por isso, na sua busca por “riquezas para as populações desgraçadas e empobrecidas da Europa”, o explorador britânico estava mais preocupado com minérios, plantações e meios de transporte do que com a beleza natural do Velho Chico.
Mas, para mim, foi um dos pontos altos desta jornada chegar à cidade de Piaçabuçu e conhecer um lugar que posso recomendar sem medo às classes estressadas da Europa ou de qualquer outro lugar do mundo. Embora não seja completamente virgem, este último trecho do Rio São Francisco pode ser considerado muito bem preservado, o que não significa, no entanto, que não haja problemas. Dois dos mais graves são a captura e o tráfico de animais silvestres e o corte ilegal de madeira para a produção de carvão. Policiais ambientais Felizmente, há na área um grupo de membros do Batalhão Ambiental da Polícia Militar de Alagoas que mostram um sincero entusiasmo com sua missão de combater crimes contra a natureza. E tal entusiasmo e compromisso é essencial para minimamente compensar a falta de recursos: são apenas seis policiais para cobrir seis cidades da região e um total de 200 agentes para todo o Estado de Alagoas.
“É emocionante libertar os pássaros que encontramos sendo vendidos nas feiras pelos traficantes”, me contou o soldado Altair, há 12 anos no Batalhão de Meio Ambiente. “Quando quebramos as gaiolas, os pássaros circulam sobre nossas cabeças e depois dão um vôo rasante, que eu tenho certeza que é de agradecimento. Ja vi policial chorar com isso.” Espero que essas boas energias prevaleçam e que este canto de paraíso continue assim por muito tempo. Finalmente, cheguei à foz do São Francisco, um entre um punhado de lugares na Terra que acho que todos deveriam ver. É o lugar onde um dos maiores rios da Terra encontra com o vasto Oceano Atlantico. A energia que emana deste encontro de Titãs é estarrecedora, impressionante, inspiradora e merece toda a nossa admiração e respeito. |
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