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Atualizado às: 04 de julho, 2003 - 03h43 GMT (00h43 Brasília)
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Dia 10: A cachoeira que liga e desliga no interior da Bahia
A cachoeira de Paulo Afonso, desligada...
A cachoeira de Paulo Afonso, desligada...

O repórter Paulo Cabral percorre os Rios das Velhas e São Francisco seguindo os passos do explorador Richard Burton quase 150 anos depois. Ele conta diariamente o que encontra no mesmo caminho.

Clique no dia para ler o relato.

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Dia 10 - Paulo Afonso (BA)

Na cidade de Paulo Afonso, não é só a energia fornecida pelas diversas usinas implantadas ao longo do Rio São Francisco que pode ser ligada e desligada.

A própria cachoeira de Paulo Afonso – a “Niágara brasileira”, na descrição de Richard Burton – também é ligada e desligada ao simples toque de alguns botões.

“A Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) está avaliando a possibilidade de operações programadas da cachoeira" – diz uma frase, que não deixa de soar um tanto estranha, em um folheto distribuído pela companhia.

... e ligada.
... e ligada.

Outras quedas d'água brasileiras foram submersas por lagos de hidrelétricas. Sete Quedas é, sem dúvida, o caso mais famoso, mas o caso de Paulo Afonso é exatamente o oposto.

Corações divididos

A queda ainda está lá, e o que sumiu foi a água.

A cachoeira “cheia com o que não parece água, mas espuma de leite batendo e se agitando, rodopiando em uma massa amorfa”, vista por Burton, é hoje um paredão de pedra quase totalmente seco, que só dá uma vaga idéia da grandiosidade do passado.

Mas basta que as comportas certas sejam abertas para que a água escorra do lago de Paulo Afonso e a cachoeira volte à vida.

A população local aprova a troca da queda pela usina, que abastece a região não só com energia mas também com empregos.

“Meu pai trabalhou na construção e depois na operação da usina. Eu trabalho aqui hoje e espero que meus filhos, no futuro, também entrem na usina”, me disse um funcionário da Chesf.

Conversando com moradores, percebi corações divididos entre a beleza natural do velho Chico e a grandiosidade da obra de engenharia que é a usina de Paulo Afonso.

Prova disso é o CD gravado por funcionários da Chesf louvando uma coisa e outra.

A viagem de Richard Burton e Paulo Cabral
A viagem de Richard Burton e Paulo Cabral

Eu não tive a oportunidade de visitar o nicho das turbinas na usina de Sobradinho – como sugeriu, em um e-mail, o internauta José Carlos Andrade, que lembra da “experiência curiosa” de estar a quinze metros de profundidade, separado do lago por apenas uma placa de aço.

Mas andei pelos túneis de Paulo Afonso, 82 metros debaixo de terra e água, e a experiência também é das mais impressionantes.

Em Paulo Afonso, é grande a esperança de que, com o projeto de revitalização do Rio São Francisco, o aumento do fluxo de suas águas deslanche e, assim, a força natural da cachoeira possa conviver permanentemente, lado a lado, com a energia produzida pelo homem pela usina hidrelétrica.

A cachoeira poderia então, voltar a ser, como escreveu Richard Burton, “a concretização da idéia de energia, de uma energia tremenda, inexorável, irresistível. Um encantador contraste entre a água na sua ânsia louca de fugir e o frágil arco-íris que se forma sobre ela”.

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