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Invasão terrestre no Líbano divide israelenses

No conflito no Líbano iniciado em 1982, mil israelenses morreram
Dez dias depois do início da ofensiva militar israelense no Líbano, a questão mais discutida em Israel é se, além dos ataques da Força Aérea e da artilharia, o Exército também deve enviar forças terrestres "para dar um golpe decisivo" contra o grupo Hezbollah.

A possibilidade de uma invasão terrestre maciça ao sul do Líbano divide os israelenses.

De acordo com pesquisas de opinião, cerca de 70% da população apóia os ataques aéreos e aceita a posição do governo de que se tratam de um "ato de legítima defesa, depois que o Hezbollah atacou o território soberano de Israel".

Esse apoio, porém, seria reduzido pela metade se um grande número de soldados fosse exposto aos riscos de uma luta corpo-a-corpo com os militantes do Hezbollah, na qual as tropas israelenses perderiam a vantagem da superioridade tecnológica que lhes dá a Força Aérea.

Segundo o instituto de pesquisas Rafi Smith, apenas 31% da população masculina apóia uma invasão terrestre. A pesquisa indica que, entre as mulheres israelenses, o apoio a tal operação é ainda menor – de somente 21%.

Na sociedade israelense, ainda pesa o trauma deixado pela primeira guerra no Líbano, na qual morreram mais de mil soldados.

O então ministro da Defesa, Ariel Sharon, conduziu as tropas a uma invasão maciça, que seria "temporária e limitada, só para destruir as 'bases terroristas' no sul". A ação acabou durando 18 anos, com um custo alto.

Vários analistas militares dizem que, apesar dos dez dias de pesados bombardeios da Força Aérea no Líbano, a infra-estrutura do Hezbollah continua praticamente intacta, e o grupo militante xiita continua lançando foguetes e mísseis contra o norte de Israel.

Vietnã

O analista militar Alon Ben David comparou a infra-estrutura militar do Hezbollah no sul do Líbano à dos guerrilheiros norte-vietnamitas durante a Guerra do Vietnã.

"Os comandos do Hezbollah no sul do Líbano construíram, nos últimos seis anos, um sistema sofisticado de túneis, trincheiras e bunkers, como na guerra do Vietnã", disse Ben David.

"Muitos dos militantes e dos armamentos estão em abrigos subterrâneos, com uma profundidade de 40 metros, e é impossível atingi-los só com a Força Aérea."

Mas o governo está ciente da falta de apoio popular a uma grande invasão terrestre e ainda não decidiu executar tal operação.

"Temos planos detalhados de uma invasão terrestre maciça", disse o secretário do gabinete, Israel Maimon.

"Mas esses planos ainda não são relevantes, por enquanto estamos tentando destruir as bases do Hezbollah com incursões pontuais."

O ex-chefe do Estado Maior e general da reserva Dan Shomron apóia uma invasão terrestre.

"Para fazer com que o Hezbollah pare de constituir uma ameaça para Israel, temos que chegar aos próprios lugares com infantaria, senão os lançadores de foguetes vão permanecer no sul do Líbano", disse Shomron ao canal 10 da TV israelense.

Já o general Giora Ayland, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional, acha que é impossível desarmar o Hezbollah por meios militares e apóia um processo diplomático.

"Devemos encontrar um meio de chegar a um acordo com o governo libanês, um acordo que seja possível para os dois lados. E Israel também deverá fazer concessões", disse Ayland ao canal estatal da TV israelense.

"Uma invasão terrestre teria uma eficácia duvidosa e um preço muito alto", acrescentou Ayland.

Já outros israelenses pertencem à minoria que exige um cessar-fogo imediato e é contra a guerra em geral, seja aérea ou terrestre.

Entre eles está o professor de lingüística Idan Landau, da Universidade Ben Gurion.

Em artigo no portal Ynet, Landau recomenda seguir a "lógica da vida e não a lógica da escalada".

"Vocês que estão lá em cima, peço-lhes que molhem a cabeça com água fria, várias vezes, respirem fundo, devolvam seus brinquedos letais aos depósitos e depois comecem finalmente a cuidar da única coisa para a qual vocês foram eleitos: proteger a nossa vida", pediu Landau.

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