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Atualizado às: 19 de julho, 2006 - 12h26 GMT (09h26 Brasília)
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Análise: A estratégia de Israel

Diplomacia não deterá ofensiva militar, diz Israel
Os esforços diplomáticos estão se intensificando, mas a campanha militar de Israel continua.

“O processo diplomático não tem por objetivo reduzir as janelas de oportunidade para as operações militares”, disse a ministra do Exterior israelense, Tzipi Livni.

“Ele acontecerá em paralelo.”

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, colocou as coisas em outros termos, pedindo o fim das hostilidades de forma a abrir uma brecha para a introdução da diplomacia.

Por ora, Israel continuará à sua maneira, enquanto os mediadores de Kofi Annan perseguirão seu objetivo de acabar com o conflito contínuo.

Golpe decisivo

O gatilho da operação israelense foi a captura de dois de seus soldados.

Mas, assim como sua ofensiva em Gaza (causada exatamente da mesma forma) se tornou algo muito maior, também os ataques de Israel ao Líbano ganharam outras proporções.

Israel quer aplicar um golpe decisivo no Hezbollah, destruindo muito do seu arsenal de mísseis adquiridos do Irã e da Síria desde que Israel se retirou do sul do Líbano, em 2000.

Os israelenses pretendem ver a organização desarmada e dispersa, dentro dos termos da resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em setembro de 2004.

De acordo com a ministra Livni, Israel quer que o Exército libanês se posicione efetivamente no sul do Líbano, e que no futuro o Irã e a Síria não voltem a armar o Hezbollah.

É uma agenda ambiciosa. Nas palavras do general Giora Eiland, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional de Israel, a operação no Líbano “nos dá a possibilidade de alcançar algo que queríamos e que falhamos em conseguir, tanto em 1982 quanto em 2000”.

“A existência de um estado independente e não-beligerante ao norte”, escreveu ele na segunda-feira no jornal “Ma'ariv, “pode ser alcançada agora”.

Destruição

Civil libanês em frente a prédio destruído em Beirute

Mas a destruição desmedida da infra-estrutura do Líbano, e a morte de civis e militares libaneses, pode parecer uma maneira curiosa de alcançar o objetivo desejado.

O general Eiland previu que o Líbano poderia contra-atacar se Israel apenas lhe desse um ultimato.

A campanha militar pode continuar por semanas, resultando em um “balanço contra nós na comunidade internacional”. E também desencadear uma crise no Líbano. “Retornaríamos ao caos.”

Até agora, as táticas do governo têm sido recebidas com amplo apoio popular, mesmo entre os civis no norte do país, submetidos a sucessivos ataques de mísseis Katyusha.

Mas algumas vozes alertam que Israel já foi longe demais.

Vozes divergentes

O líder do partido de oposição Meretz, Yossi Beilin, afirmou que “não há justificativa para essa demonstração [de poder]”.

Falando à BBC, ele defendeu um diálogo com o Hezbollah, através de terceiros, se necessário, e acrescentou que as conversas deveriam incluir a Síria.

O escritor e acadêmico de extrema esquerda Yitzhak Laor foi mais além. Em sua coluna desta terça-feira no jornal Ha'aretz, ele criticou pesadamente as Forças de Defesa Israelenses.

“Apenas o status intolerável das FDI na sociedade israelense evitou que israelenses que emergiram com unhas e dentes da guerra do Líbano apontassem o dedo para os militares mais velhos e dissessem: Basta:”

A maioria dos israelenses não concorda. Pesquisas de opinião indicam que o governo tem mais de 80% de apoio.

Por isso, até que o processo diplomático avance – Condoleezza Rice é esperada na região até o fim de semana – Israel continuará sua campanha militar.

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