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Atualizado às: 17 de julho, 2006 - 11h56 GMT (08h56 Brasília)
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Análise: EUA endossam Israel, mas temem guerra regional

Alvo de ataque no Líbano
Bombardeios israelenses já mataram mais de cem pessoas
De Teerã ao Mediterrâneo, as crises do Oriente Médio avançam em alta e cada vez mais perigosa velocidade.

Na distante quinta-feira passada, a secretária de Estado Condoleezza Rice disse que não queria "especular sobre cenários apocalípticos", em referência à escalada de violência que recolocou o Líbano velho de guerra no epicentro dos conflitos no Oriente Médio.

A escalada de violência permite especular sobre cenários apocalípticos, como uma guerra regional em larga escala, mas por ora a estratégia americana é reafirmar constantemente seu apoio quase incondicional a Israel nesta crise (sintetizado no argumento de que os israelenses têm o direito à autodefesa), enquanto o presidente George W. Bush subscreve apelos multinacionais, como o comunicado do G-8 divulgado no domingo em São Peterburgo, pelo fim das hostilidades, mas não um cessar-fogo imediato.

Existem os recados específicos do governo Bush para os israelenses tomarem cuidado com "os danos colaterais" na ofensiva libanesa e não provocarem o colapso do governo local.

Mas Washington concorda com o que parece ser a estratégia israelense: punir, conter e, na medida do possível, estrangular o grupo militante xiita Hezbollah. Essa estratégia provavelmente deverá incluir por semanas os bombardeios no Líbano, embora uma invasão por terra seja improvável.

A crise no Líbano, com seus descobramentos regionais, anda de mãos dadas com o conflito mais localizado em Gaza (envolvendo Israel e o grupo islâmico Hamas).

Para Washington, ainda não é o momento de frear as ofensivas israelenses, pois elas atendem ao objetivo mais amplo de enfraquecer uma espécie de novo "eixo do mal" integrado pelo Hezbollah, Hamas e os dois países que os apóiam, Irã e Sïria.

No domingo, Condoleezza RIce sugeriu em entrevista à televisão americana que Israel talvez precise prolongar a ofensiva no Líbano para reduzir a ameaça do Hezbollah.

Países árabes

Robin Wright, a correspondente diplomática do jornal Washington Post revela que, apesar do coro de indignação contra Israel "nas ruas árabes", o governo Bush estima que existe um apoio tácito dos regimes conservadores árabes (em particular Egito e Árabia Saudita) à "feroz ofensiva" israelense (termo da agência de notícias Associated Press) para conter o populismo islâmico, em particular na sua versão xiita.

Já o conselheiro politico da Casa Branca, Dan Bartlett, ressalta que a indignação européia com Israel tem sido mais contida do que no passado.

Obviamente não há garantias que a estratégia israelense seja bem-sucedida, especialmente se perdurar por muito tempo, com "danos colaterais" intoleráveis. O Hezbollah poderá sair fortalecido, o regime sírio ganhar uma sobrevida e o Irã se consagrar como o campeão dos interesses islâmicos (e não apenas xiitas).

Tais desdobramentos seriam reveses significativos para o governo Bush, que já viu murcharem seus argumentos no sentido de que a invasão do Iraque tornaria mais segura a vida de Israel e dos aliados árabes dos EUA. Uma relativa vulnerabilidade americana no Oriente Médio talvez tenha estimulado as provocações do Hezbollah com o impulso de Damasco e Teerã.

Ademais, a espiral de violência pode simplesmente fugir ao controle (como se agora já pudesse ser coreografada). Uma preocupação essencial do governo Bush é evitar um confronto direto com os iranianos no momento em que investe em lances diplomáticos multilaterais para coibir as ambições nucleares de Teerã.

A ofensiva israelense contra o Hezbollah pode complicar ainda mais os esforços americanos para pacificar o Iraque e criar um governo estável sob batuta xiita naquele país. Existe, portanto, o interesse dos EUA em radicalizar os conflitos no Oriente Mëdio através das ações de Israel, mas também impedir a construção dos cenários apocalípticos.

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Saiba por que há um novo conflito entre Israel e Líbano.
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