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Oriente Médio regride para seu cenário mais sombrio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A imagem do aperto de mão entre o israelense Yitzhak Rabin e o palestino Yasser Arafat, nos jardins da Casa Branca, em setembro de 1993, sob o estímulo paternal do jovial Bill Clinton, parece cada vez mais uma relíquia histórica. A esperança de coexistência pacífica gerada por aquele encontro e os acordos de Oslo está sendo rapidamente substituída pela escalada de violência envolvendo Israel, palestinos e aquela turbulenta vizinhança em geral. Após o agravamento dos conflitos entre Israel e os militantes islâmicos do Hamas, em Gaza, uma nova frente de batalha se descortinou ao norte, no Líbano, engajando israelenses e o grupo xiita Hezbollah. O mapa do caminho da paz é pontilhado por cada vez mais zonas de guerra naquela parte do Oriente Médio. Até o Líbano, que se engajou em um penosa reconstrução pós-guerra civil e onde os sonhos de uma revolução democrática se mostravam plausíveis, vê a retomada dos seus velhos pesadelos como peão de manobra nos conflitos mais amplos no Oriente Médio. Os esforços ocidentais (um caso raro de afinação das diplomacias dos Estados Unidos e França) para debilitar de vez o regime sírio de Bashar Assad se revelaram tortuosos e Damasco mais uma vez emerge como peça-chave no tabuleiro regional, em particular por sua associação com Hamas e Hezbollah. No ar está mesmo a possibilidade de que o braço de atuação e retaliações de Israel se estenda à Síria. Situação estratégica A ironia é que até recentemente Israel parecia estar em uma vantajosa e invejável situação estratégica. Os atentados do 11 de Setembro aproximaram o país ainda mais do seu grande aliado, os Estados Unidos, e a invasão do Iraque não apenas neutralizara um inimigo mortal, o regime de Saddam Hussein, como colocara as tropas americanas nas proximidades de outro oponente irascível de Israel, o Irã dos aiatolás. O Iraque, no entanto, não foi pacificado, Teerã avançou com seu programa nuclear e as utopias democráticas da Casa Branca convivem com a amarga realidade de um grupo como o Hamas ter conquistado o poder pelo voto. O gigante americano se revela impotente diante da escalada de violência, o governo de Israel tem à frente dirigentes nunca testados em combate (o primeiro-ministro Ehud Olmert e o ministro da Defesa Amir Peretz) e o Hamas confirma que está mais à vontade na missão de "resistência" do que nas mundanas tarefas de governança, obviamente dificultadas pelo isolamento internacional. Sem estabilidade A escalada de violência reforça a visão de que a retirada unilateral israelense de Gaza, orquestrada por Ariel Sharon, não foi um lance capaz de trazer estabilidade para a região, em especial por não ter sido vinculada a amplas negociações de paz. O empenho diplomático americano pode ser definido como letárgico, limitando-se a apelos por conversações bilaterais entre o governo Olmert e o desacreditado presidente palestino, Mahmoud Abbas. A Casa Branca, porém, nunca pressionou Israel com vigor para reforçar a posição de Abbas antes que o Hamas vencesse as eleições parlamentares de janeiro. As perspectivas são cada vez menos promissoras, e aumenta a resistência dentro de Israel aos planos de Olmert de estender a retirada unilateral de territórios palestinos para grande parte da Cisjordânia. Em contrapartida, pode se vislumbrar um cenário de ações mais afinadas entre Hamas e Hezbollah. O governo Bush apostou que um sucesso no Iraque facilitaria uma resolução da questão palestina. Vai perdendo feio nas duas frentes. O futuro da região tem cada vez mais o formato do passado. |
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