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Atualizado às: 17 de julho, 2006 - 17h26 GMT (14h26 Brasília)
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Analistas em Israel questionam motivos do conflito

Jovens israelenses foram às ruas de Haifa depois de ataques de domingo
Israelenses foram às ruas de Haifa após ataques de domingo
Seis dias após o início do confronto entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, a mídia israelense começou a mudar a linguagem. As hostilidades, até agora qualificadas como a "Operação Militar no Norte", passaram a ser chamadas abertamente de "guerra".

A nova guerra no Líbano, que está cobrando um preço cada vez mais alto dos dois lados da fronteira, tem o apoio da maioria da população israelense, que aceita a posição do governo de que se trata de "um ato de legítima defesa depois que o Hezbollah atacou o territorio soberano de Israel".

"Pela primeira vez em muitos anos, Israel luta por sua própria fronteira e não por territórios ocupados", afirmou a jornalista Sima Kadmon, em artigo no Yediot Ahronot, o maior jornal de Israel.

"Desta vez a guerra é pela soberania de Israel, por sua fronteira legítima e internacionalmente reconhecida, pela qual todos os cidadãos estarão dispostos a lutar e todas as mães estarão prontas a enviar seus filhos", acrescenta Kadmon.

Porém, apesar de minoria no país, vários israelenses, entre eles analistas e ativistas políticos, questionam os objetivos dessa guerra.

No portal Ynet, o jornalista Amnon Levy dirige uma série de perguntas à "troica" que lidera o país – o primeiro-ministro Ehud Olmert, o ministro da Defesa Amir Peretz e a ministra do Exterior Tzipi Livni.

"Para onde vocês estão nos conduzindo? Por que vocês se negaram a considerar a proposta de cessar-fogo do primeiro-ministro libanês? Quais são os objetivos?", pergunta Levy.

"Os bombardeios de áreas civis em Beirute, a morte de civis, vão levar muitas pessoas no Libano, as mais moderadas, a aderir ao círculo de ódio contra Israel... peço a vocês que contem até dez antes de apertar o gatilho e que procurem uma maneira de alcançar um acordo diplomático com o governo libanês", acrescenta Levy.

Manifestação

Ativistas políticos também começam a questionar a guerra. No domingo, mil pessoas participaram da primeira manifestação contra a guerra, que ocorreu no centro de Tel Aviv.

Os manifestantes portavam cartazes com os dizeres: "Basta de loucura militar", "Não existe solução militar", "Parem os canhões e salvem os civis", "É melhor libertar prisioneiros do que escavar sepulturas".

Um dos participantes da manifestação era Uri Avnery, de 82 anos, líder do grupo pacifista Gush Shalom.

Em entrevista à BBC Brasil, Avnery afirmou que os objetivos que o governo israelense afirma querer alcançar com esta guerra são impossíveis e apoiou um cessar-fogo imediato.

"Esta guerra é ruim para Israel, para o Líbano e para as chances de paz na região", disse Avnery. "Os ataques ao Hezbollah vão fortalecê-lo ainda mais."

"O Hezbollah tem raízes profundas no Líbano, representa os xiitas, que são 40% da população. É impossível quebrar este movimento por meios militares, quanto mais violentos forem os ataques, mais popular o Hisbollah vai ser", afirmou o pacifista.

"Com os ataques no Líbano, Israel está agindo contra seus próprios interesses e fortalecendo o eixo Hezbollah-Irã- Siria. Vale lembrar que este eixo também pode vir a incluir o Iraque, onde a maioria da população é xiita."

Na opinião de Avnery, Israel deve aceitar a proposta de cessar-fogo do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, e iniciar negociações sobre o posicionamento de uma força internacional na fronteira entre Israel e o Libano.

Em artigo no jornal Haaretz, o analista Gideon Levy, também questionou a guerra no Libano.

"A guerra que declaramos contra o Líbano ja está cobrando de nós, e obviamente do Libano, um preço alto. Será que alguém pensou se este preço vale a pena? Todos sabem como esta guerra começou, mas alguém sabe como vai terminar? Com duras perdas? Uma guerra com a Síria? Uma guerra geral na região? Será que tudo isso vale a pena?", questionou o analista.

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