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Atualizado às: 24 de fevereiro, 2006 - 09h10 GMT (06h10 Brasília)
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Marcha e marchinha de Osama
Ivan Lessa
É duro achar uma rima para Osama. Antes porém, na marcha dos acontecimentos, comentemos a mais recente mensagem do – líder rebelde? Terrorista? Insurgente-mór? Difícil referir-se ao homem.

A imprensa mundial trata-o com a maior intimidade. É Osama e estamos entendidos. Feito como ninguém diz chanceler Hitler ou marechal Stalin, para percorrermos apenas a galeria dos monstros históricos.

Osama bin Laden, para dar seu nome completo, em sua mais recente mensagem, um áudio-tape de 11 minutos e 26 segundos, divulgado na íntegra nesta semana que passou, em estação de rádio islâmica militante, jurou “nunca ser capturado com vida”.

Depois não sabem porque a gente se apega a uma teoria conspiratória, dessas que andam dando sopa por aí, e duvida da existência não só de um grupo organizado, a Al-Quaeda, como do próprio Osama: se o bruto (olha a solução para se referir a ele) existe mesmo ou é lenda urbana, suburbana, das montanhas e desertos arábicos, feito Ali Babá, Scheherazade ou Aladim. Dirijo-me diretamente ao homem:

"Osama, cara! Onde é que tu tá com a cabeça? A prêmio, sabemos. Mas você acha mesmo que a coalizão quer te pegar com vida? O pessoal prefere mil vezes 'sem vida'. No banco dos réus já tem um, pagando o pato para a mídia mundial, relembrando atrocidade após atrocidade, para justificar essa esparrela no Iraque. 'Eles' querem, preferem mesmo, sua senhoria (eu tenho modos) sem isso que chama, no têipe, sem ironia, de 'vida'.

Osama bin Laden, gênio do mal. Em matéria de “gênio do mal”, eu sou mais o dr. Silvana, do Capitão Marvel, ou Lex Luthor, do Super-homem.

Embatucando

Mas, e a rima para Osama? Seguinte: eu e um amigo, que não darei o nome por motivos óbvios, estamos ensaiando uma marchinha tendo Osama como tema para ver se ela pega no tríduo momesco da colônia brasileira aqui em Londres.

Espelhamo-nos nos exemplos clássicos do bom Nássara, ele próprio de origem levantina, e do Haroldo Lobo, para o carnaval de 1941, “Allah-lá-ô”, conforme se grafava, cujo refrão diz “Chegou a nossa caravana/ À frente vem Maomé…”

Sondamos e ressondamos e parece que tudo bem: não é charge política, não dá protesto ou queimação de auriverde pendão de esperança.

Até mesmo “Cabeleira do Zezé”, tipo meio sobre o atual caubói cinematográfico americano, marchinha do João Roberto Kelly, de 1960, que fala em “Será que ele é bossa nova/Será que ele é Maomé…”, não tem problema.

Problema é uma rima para Osama. Bin é mole: sim, assim etc. Laden, dá para enganar: invadem, sabem, por aí. Embatucamos nos seguintes versos do estribilho:

Osama, Osama,

Ouça quem te chama!

Vem contar tintim por tintim

Porque és malvado assim,

Vem, Osama Bin!
(bréque:) Diz que sim, diz que sim!

Temos até domingo, meu companheiro e eu, para encaixarmos no refrão, com idêntica ginga e sacolejo, dois bons versos rimando com Laden.

Na grande tradição carnavalesca, oferecemos parceria a quem se habilitar. Sugestões para esta coluna.

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