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Atualizado às: 22 de fevereiro, 2006 - 10h33 GMT (08h33 Brasília)
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O mister de ser Sir
Ivan Lessa
Assim como nossos grandes atores e atrizes são ocasionalmente condecorados com uma ordem do Cruzeiro do Sul, ou um Saci (é isso?) no Festival de Gramado, os grandes atores e atrizes britânicos ganham títulos e honrarias numa das duas ou três fartas distribuições realizadas anualmente.

E lá ficam eles, entre políticos, comerciantes, contribuintes para os cofres de partidos e os cada vez mais homenageados roqueiros.

O primeiro ator a ser feito Cavaleiro do Reino, foi Henry Irving, em 1895. Com ele começou também a tradição não escrita, mas decorada como uma fala de teatro ou cinema, de jamais, nunca, em hipótese alguma usar o título como chamariz ou distinção na porta do teatro, no programa, no cartaz ou nos créditos de um filme.

É uma questão de ouvido. Melhor dizendo, uma questão de classe, de não confundir as coisas, de não ser besta, para ser franco.

O sublime canastrão Laurence Olivier foi feito, primeiro, Cavaleiro e, depois, Par do Reino, ou seja, primeiro Sir e depois Lord. Nunca usou para fins artísticos os títulos, nem mesmo nos comerciais da câmara Polaroid, exibidos apenas no Japão. Ele era, antes e depois de tudo, ator.

Enfileiremos outros Sirs, só para dar uma conferida: Ralph Richardson, Michael Redgrave, Alec Guinness, Michael Caine, Anthony Hopkins, Ian McKellen, Sean Connery. E o equivalente feminino? As Dames daquele que foi o Império Britânico? Pois não: Judi Dench, Maggie Smith, Helen Mirren, Diana Rigg. Botando para quebrar, vamos aos roqueiros (quase que eu escrevo “músicos”): Bob Geldof, Paul McCartney, Mick “Copacabana” Jagger.

Além das honrarias, todos eles têm em comum o fato de não se apresentarem com o título de Sir ou Dame em coisíssima alguma. Michael Gambon, talvez o melhor ator britânico vivo, já avisou (e traduzo “presamente”): “Me chamou de Sir, eu quebro a cara!”. Roger Moore, talvez o pior ator britânico vivo – mas ele, com muito senso de humor, sabe disso e é o primeiro a se apossar da honra - insiste em que só chamem de “Rog”.

Mas e Krishna Bhanji? Krishna Bhanji faz questão de ser Sir em tudo que faz 24 horas por dia. Quem é Krishna Bhanji? Krishna Bhanji é aquele cidadão britânico que adotou o nome artístico de Ben Kingsley e adquiriu fama mundial ao encarnar o papel-título de ET, O Extraterrestre, aquele filme do Steven Spielberg. Ou terá sido Gandhi, do – hoje Lord – Richard Attenborough, diretorzão danado de ruim, camarada dos mais simpáticos.

Sir Ben Kingsley exige o título nos anúncios, cartazes e créditos dos filmes em que atua. Aí está ele nas revistas e nos jornais, ao lado dos plebeus Bruce Willis e Morgan Freeman, no filme ainda por estreiar, Lucky Number Slevin: Sir Ben Kingsley. E comentou informando a impensa; “Não há mais Mr. Ben Kingsley. Ser Sir traz responsabilidade.”

Passou, assim, para a história da estupidez e pretensão humana, o outrora humilde (terá sido, um dia?) Krishna Bhanji, hoje Sir – eu disse e repito, com respeito e humildade – Sir, Sir, Sir Ben Kingsley. Gostou assim, Krishna?

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