70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às:
Envie por e-mailVersão para impressão
Proteção às fontes jornalísticas
Ivan Lessa
Esteve muito nas primeiras páginas dos jornais americanos, ainda há pouco, uma complicada história sobre jornalistas e suas fontes e até onde vai seu direito de protegê-las.

Sempre se diz que, quando jornalista é notícia, as coisas vão mal. Aqui, nesta semana mesmo, em meio ao julgamento de um clérigo muçulmano a respeito dos direitos de liberdade de expressão, e da barafunda que é a definição dos limites de responsabilidade do jornalismo no tocante à violação das crenças religiosas, passou quase desapercebida uma notícia importante para toda a imprensa local.

Um tribunal superior decidiu manter uma decisão anterior de que um jornalista tem o direito de proteger suas fontes, quando a matéria for de interesse público.

O que houve foi o seguinte: em dezembro de 1999, o jornal Daily Mirror publicou uma reportagem a respeito dos maus-tratos recebidos em hospital de penitenciária pelo assassino múltiplo Ian Brady, internado quando fazia greve de fome.

Monstro

Ian Brady é notório por ser um dos mais monstruosos assassinos da história da Grã-Bretanha.

Em Manchester, entre os anos de 1963 e 1965, ele e sua amante e cúmplice, Myra Hindley, já falecida na prisão, foram julgados culpados por violar sexualmente, torturar e matar pelo menos cinco pessoas, todas crianças ou adolescentes.

A reportagem era assinada por “Gary Jones”, e o jornal foi intimado pelo hospital em questão, o de Ashworth, a revelar suas fontes. O jornal se negou. A coisa foi escalando e acabou até indo para a Câmara dos Lordes.

A uma certa altura do longo e complicado processo, o jornalista investigativo Robin Ackroyd assumiu responsabilidade pelo vazamento das informações que o Daily Mirror transformara em reportagem e, em tribunal, declarou que “por mais odiosos os crimes de Ian Brady, ele fora maltratado pelas autoridades.”

O sindicato de jornalistas apoiou Ackroyd do começo ao fim do processo.

O fim do processo teve lugar nesta semana que passou, quando o tribunal superior de Londres houve por bem, nas palavras do juiz Tugendhat, que articulou a decisão final, que a proteção das fontes de Robin Ackroyd era de vital interesse público e que toda a argumentação apresentada pela unidade psiquiátrica do hospital de Ashworth, onde Brady, fora tratado, e maltratado, saía perdendo quando comparada à necessidade do jornalista preservar a confidencialidade dos relatórios médicos do notório criminoso.

Assim, mesmo sem pegar primeira página ou destaque nos telenoticiários, a decisão foi mais do que um marco na luta pelos direitos dos jornalistas em proteger suas fontes. Que assim continue.

Arquivo - Ivan
Leia as colunas anteriores escritas por Ivan Lessa.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Doentitos
08 fevereiro, 2006 | BBC Report
Tato
06 fevereiro, 2006 | BBC Report
O bom, bom Bono
03 fevereiro, 2006 | BBC Report
Em busca do tempo parado
01 fevereiro, 2006 | BBC Report
Nosso fumo, nossa alma
30 janeiro, 2006 | BBC Report
Ricas leituras
16 janeiro, 2006 | BBC Report
Tristezas hibernais
13 janeiro, 2006 | BBC Report
JK, Dona Sarah e eu
11 janeiro, 2006 | BBC Report
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade