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Proteção às fontes jornalísticas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Esteve muito nas primeiras páginas dos jornais americanos, ainda há pouco, uma complicada história sobre jornalistas e suas fontes e até onde vai seu direito de protegê-las. Sempre se diz que, quando jornalista é notícia, as coisas vão mal. Aqui, nesta semana mesmo, em meio ao julgamento de um clérigo muçulmano a respeito dos direitos de liberdade de expressão, e da barafunda que é a definição dos limites de responsabilidade do jornalismo no tocante à violação das crenças religiosas, passou quase desapercebida uma notícia importante para toda a imprensa local. Um tribunal superior decidiu manter uma decisão anterior de que um jornalista tem o direito de proteger suas fontes, quando a matéria for de interesse público. O que houve foi o seguinte: em dezembro de 1999, o jornal Daily Mirror publicou uma reportagem a respeito dos maus-tratos recebidos em hospital de penitenciária pelo assassino múltiplo Ian Brady, internado quando fazia greve de fome. Monstro Ian Brady é notório por ser um dos mais monstruosos assassinos da história da Grã-Bretanha. Em Manchester, entre os anos de 1963 e 1965, ele e sua amante e cúmplice, Myra Hindley, já falecida na prisão, foram julgados culpados por violar sexualmente, torturar e matar pelo menos cinco pessoas, todas crianças ou adolescentes. A reportagem era assinada por “Gary Jones”, e o jornal foi intimado pelo hospital em questão, o de Ashworth, a revelar suas fontes. O jornal se negou. A coisa foi escalando e acabou até indo para a Câmara dos Lordes. A uma certa altura do longo e complicado processo, o jornalista investigativo Robin Ackroyd assumiu responsabilidade pelo vazamento das informações que o Daily Mirror transformara em reportagem e, em tribunal, declarou que “por mais odiosos os crimes de Ian Brady, ele fora maltratado pelas autoridades.” O sindicato de jornalistas apoiou Ackroyd do começo ao fim do processo. O fim do processo teve lugar nesta semana que passou, quando o tribunal superior de Londres houve por bem, nas palavras do juiz Tugendhat, que articulou a decisão final, que a proteção das fontes de Robin Ackroyd era de vital interesse público e que toda a argumentação apresentada pela unidade psiquiátrica do hospital de Ashworth, onde Brady, fora tratado, e maltratado, saía perdendo quando comparada à necessidade do jornalista preservar a confidencialidade dos relatórios médicos do notório criminoso. Assim, mesmo sem pegar primeira página ou destaque nos telenoticiários, a decisão foi mais do que um marco na luta pelos direitos dos jornalistas em proteger suas fontes. Que assim continue. |
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