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Ricas leituras | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Livro é o melhor presente. Pode ser, mas revista para multibilionário é muito mais interessante. Os brasileiros, que, cercados de milhões de pobres por todos lados, tentam fugir do espetáculo deprimente, quando não do assédio dos miseráveis, buscam justificado refúgio tornando-se bilionários ou, de preferência, multibilionários, que, como festa de destituído, “quanto mais mió”. Nossos multibilionários (chamemo-los de multibis), eu acompanho suas andanças, ou, melhor dizendo, suas jato-vagações, pelas colunas sociais, ou o que delas sobrou. Agora, nossos heróis sociais são as telepessoas. Mas, estas, deixemo-las todas para lá, entretidas com sua glória, fama e a mesa no restaurante da moda que vai fechar semana que vem. Nossos multibis é quem nos – ou pelo menos a mim, neste momento – interessa. Quejandos, não Eles agora têm mais uma revista escrita em inglês a assinar (ils ne parlent pas le français, les multi-bis) e onde tentar se informar sobre assuntos de seu interesse: possivelmente esplendor e luxo e estampas multicoloridas de multibilhões de dólares, euros, pesos, reais e quejandos. (Não, quejandos não. Os multibis, mesmo sem saber o que é, detestam “quejandos”.) Com uma ajudinha de amigos e sychophants (conferir, remediados, conferir!), nossos multibis almejam, isto sim, entrar para a magnífica listona doirada dos 500 mais multibis do mundo. O nome da nova publicação trimestral é destinado a enganar os pouco favorecidos e seqüestradores em potencial: Spear´s Wealth Management Survey. Tem um senão: assinatura, só mediante convite. Dois mil supermilionários (a designação também é aceitável) britânicos já receberam o número piloto, que acaba de pisar no acelerador e, como o mais pesado que o ar, alçou vôo. Há lista de resorts exclusivos a alugar ou comprar, artigos sobre como ir às compras de helicóptero, além dos – afinal são a alma do negócio – anúncios, que vão dos relógios de 40 mil dólares aos carros esporte. Espera-se uma circulação de 25 mil exemplares. Não esbarra na nossa Modinha Ilustrada dos bons tempos, mas tem possibilidade. |
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