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Palavras, palavras, palavras... | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Segunda-feira, a BBC2 TV iniciou uma série de seis programas de 50 minutos, em horário nobre, sobre a coisa menos televisiva do mundo: a vida das palavras – sua origem, sua saúde. Um programa que o esplêndido Sérgio Rodrigues, autor (“What língua é esta?”), etimologista amador, amado e amante, apreciaria como um petisco, um pitéu, um manjar dos deuses, digo invocando lugares-comuns que, espero, ainda estejam em uso. Palavra não se joga fora. Sérgio Rodrigues manteve e mantém, no sítio No Mínimo, uma importante coluneta defendendo a acepção e uso correto de nosso vocabulário. Até bem pouco, os leitores contribuíam com suas opiniões num fórum que ele mantinha com zelo extremado. Tamanho foi o sucesso da empreitada – excelente sinal –, gente que não acabava mais se manifestando, que o bom Sérgio dissolveu a assembléia e lá ficou, sozinho, todo santo dia, explicando como somos aquilo que dizemos. Mas à BBC 2. O nome do programa é “Balderdash and Piffle”, luxuoso arcaísmo a ser encontrado, por exemplo, nos livros do magnífico P.G. Wodehouse, e que, em tradução simples e simplória, eu chamaria de “Truanice e Asneira”. O formato é simples: a apresentadora, Victoria Coren, escolhe algumas palavras e parte para tentar dissolver seus mistérios e origens apresentando o resultado para a principal equipe de três editores de uma das glórias da língua inglesa, o Oxford English Dictionary (mais de 670 mil palavras à nossa disposição), que, então, diante das provas por ela encontradas, decidem se o resultado é digno ou não de registro como acepção. Frise-se que o OED só aceita prova escrita do significado de um termo. Vox populi vox Dei é a mamãezinha. No primeiro programa, a jovem detetive, entre outras coisas, foi a diversas fontes para conferir “pear-shaped”, literalmente “em formato de pera”, ou seja, “coisas saindo errado”, sugiro eu, e “gay”, no sentido que atravessou mares e montanhas. Suas soluções sherlock-holmesianas, para cunhar um termo, não foram aceitas pelos três eruditos. Para uma terceira, “ploughman´s lunch”, um prato de pub à base de queijo, que se supunha datado de 1970, ela foi encontrar registro no ano de 1954. Fascinante um aparte para “polari”, ou também “palari”, praticamente uma língua inventada pela comunidade gay para se comunicar evitando as – arram! – malhas da lei, já que até 1967 o homossexualismo era crime. Nós, que amamos importar, por que não ir nessa? Para conferir a série da BBC, é dar uma chegada a www.bbc.co.uk/balderdash. |
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