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Bling! Blom! | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Bling! Blom! São os sinos de Natal, não é mesmo? Não, não é mesmo. Blom! É meio sino, ou apenas uma badalada num canto. Bling eu sei que, como todo anglo-americanismo, em missão conjunta, já aterrissou no Brasil levando paz, amor, eleições e, se bobear, nova constituição. Não, bling não está nem no Houaiss nem no Aurélio. Nem mesmo o aportuguesado, abrasileirado, blingue. Mas é ouro. Jóia e enfeite de ouro. Está na moda, principalmente nos meios bregas, cafonas, cafajestes e outras basbaquices da vida. Cantor ou cantora de rap, ou “répi”, juraram-me que é assim que se pronuncia, sem estar coberto de ouro não vale o que o gato enterra. Ouro, eu não tenho nem em dente. Também não canto “répi” e mal consigo, hoje em dia, imitar o Nelson Gonçalves cantando aquela musiquinha que no meio tem “nem coberta de ouro te quero mais”. Se Papai Noel me trouxer um relógio de ouro, desses que vivem querendo me vender em e-mails marotos, deixo dentro da meia mesmo ou dou para os pobres da Romênia, que precisam saber a quantas andam em matéria de horas. Nem tudo que reluz é ouro, sempre repeti com o povão e optei prudentemente pela platina. O ouro no entanto é a última palavra neste Natal. Outro dia mesmo, o ouro rompeu a importante barreira psicológica dos 500 dólares a onça. Quando digo onça, não corram para pegar uma espingarda. É onça medida de peso. Não estou certo é se é a onça 16ª. parte do arrátel, isto é, 28,69 gramas, ou se é a onça inglesa medida de peso, quer dizer, 28,349 gramas. Deve ser, só pode ser, a segunda hipótese. Anda o ouro agora lá por volta dos US$ 515,70, o mais alto nível alcançado em quase 25 anos. As grandes lojas de departamentos de Londres estão caindo de ouro, que já foi recurso de segurança para quando as coisas andam mal ou beiram a crise. Ainda esta semana, um depósito de combustível ardeu furiosamente aqui perto da cidade, lá pras bandas de Kent. Todo mundo em vez de chamar os bombeiros foi até o joalheiro da esquina e investiu tudo em ouro. A indústria áurea (ou será aurífera?) prevê um aumento de 30% em suas vendas neste Natal. Poucos intérpretes do “répi” estarão pedindo em forma de embrulho de presente. Por fim, já que o ano se vai, um dado de almanaque, que deles sinto falta: vocês sabiam que se juntassem todo ouro já extraído da face e da sub-cútis da Terra daria numa montanha de 153 mil toneladas? Mais ou menos a produção de aço dos Estados Unidos em um único dia. O que explica a paixão dos “répers”, ou rappers, pelo preciosíssimo metal. |
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