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Patenteando panettones | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Que fique patente o seguinte: a Vila faz samba, mas não quis tirar patente. Isso segundo Noel, que sabia das coisas, mas não era muito vivo em matéria de negócios. Se a Vila tivesse tirado patente, seria hoje a Riviera brasileira, para dar um exemplo que não quer dizer rigorosamente nada. Os brasileiros temos que nos mirar no exemplo recente da Itália. Todos nós conhecemos o panettone, mesmo aqueles que escrevem seu nome com um único T. É aquele pão doce que os italianos servem, no Natal. Outros países, inclusive o nosso, seguem o exemplo, e cada um tem sua variação do panettone. E esses danados desses países vão e chamam o bruto de "bolo festivo", "bolo de Natal", "Rigoberto Pinter", ou coisa parecida, e servem cantando jingobéls. Os italianos não gostam disso. Tanto que resolveram dar uma copirraitada legal na receita tradicional. E quando digo tradicional, não estou brincando. O panettone, e seu primo mais levinho, o pandoro, fabricado com menos manteiga, datam de priscas eras, para cunhar uma frase destituída de patente ou copirraite. Priscas, no caso, remontando ao século 15, quando um jovem nobre milanês, alto, forte e ambicioso, se apaixonou pela filha de um padeiro chamada Toni. O rapaz, cujo nome a História, ingrata, não registrou, afim de se aproximar de Toni, disfarçou-se de padeiro e inventou um pão usando farinha, fermento, manteiga, ovos, passas e frutas cristalizadas. Estava inventado o "pão de Toni", ou seja, claro, panettone, que, de tão gostoso que ficou, conseguiu a permissão de um duque para que o casal se enupciasse e vivesse feliz para sempre comendo o pão de Toni todo Natal. Para preservar a receita-fórmula, os italianos, através de seus ministérios da Indústria e da Agricultura, entraram nas justiças do mundo inteiro com ações patenteadora e copirraiteadora. Estão certíssimos. Brasileiros: vamos seguir o exemplo dos intalianos, como os chamávamos, e dar uma legalizada nas receitas de coisas nossas, nossas coisas, que abafaram no exterior, além de Carmen Miranda e da bossa-nova: a caipirinha, o pão de queijo, a feijoada, o vatapá e quejandos. Tá bom, vá lá que seja, os quejandos são de quem chegar lá primeiro. |
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