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Atualizado às: 19 de dezembro, 2005 - 07h53 GMT (05h53 Brasília)
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O pau do Natal
Ivan Lessa
Natal é a época ideal para se dar um pau no chato do bom velhinho, vulgo Papai Noel. Dia de Natal, para ser preciso. No almoço de Natal.

Se o boneco não deu as caras, ficou entalado na chaminé, ou coisa assim, o negócio é fazer como na maior parte das famílias: partir para o partir a cara. Sair na mão. Dar pernada. Tapa, soco, murro, pontapé. Em quem estiver mais à mão ou mais ao pé.

Papai, mamãe, os irmãos, vovô e vovó, tios, primos, vizinhos, namorada ou namorado. O importante é o espírito da coisa, conforme sabemos todos.

Sejamos natalinamente francos: depois de mais de mês com cidade pintada e fantasiada como uma Jezebel, depois de mais de mês com festas diárias no trabalho, depois de mais de mês com bêbado vomitando ou ao nosso lado ou em cima da gente, depois de mais de mês vendo comercial de perfume na TV pontilhando programas "especiais" chatíssimos, depois… depois… depois…

Só mesmo engrossando no dia 25 dezembro, depois de ter aguentado e tacado goela abaixo vinho danado de desocupado, desses para se tomar debaixo da ponte entre desconhecidos e passado de mão suja em mão imunda.

É verdade, eu admito, meu espírito natalino não passaria no exame de admissão. Acontece que a ciência está comigo, ao menos no sentido de que sustenta a tese de que todas as desavenças saídas no dia de Natal são o resultado do almoção.

Os registros policiais não mentem também. A culpa é do peru. Dos acompanhamentos todos. Ah, aquela farofinha de castanha, aqueles legumes, o pirão de batata, o molho de – como é que se diz em português "cranberry"?

Só de escrever esses poucos ingredientes, sobe-me o sangue à cabeça e, vermelhão como Papai Noel, vem-me a vontade de tacar a mão em alguém. Qualquer alguém. De preferência, claro, alguém mais velho, mais fraco e mais doente do que eu.

Como disse, a ciência está do meu lado. Mais: sugere um cardápio de Natal alternativo. Salmão defumado em cima de pão "pumpernickel" com creme de queijo "light". E eu lá tenho dinheiro pra salmão, Dona Ciência?

Mais um lenço vermelho agitado diante de meus olhos furiosos: danada de uma vontade de dar uma pernada nesses dietistas todos.

Vão todos se roçar nas ostras. Ostras de Natal, evidente.

66Arquivo - Ivan
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