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Doentitos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na verdade, eu não deveria ter escrito coluna nenhuma na segunda-feira, quando, aqui neste cantinho que me cabe, em certos dias da semana, falei das molecagens de garoto de antigamente. Era para eu ter ligado, feito uma voz nasal, tossindo um pouco e explicado para o superior hierárquico (êpa!) que eu ia ficar de “molho”, uma vez que tudo indicava gripe brava se aproximando a 120 km/h. Depois de ter vindo trabalhar normalmente, leio nas folhas que segunda-feira, 6 de fevereiro, é o dia mais popular do calendário para aqueles aqui chamados de “sickies”, e que hoje, porque a data passou, traduzo para “doentitos”, já que estou, como sempre, firme em meu posto. Os cientistas e pesquisadores de sempre, que nem me incomodo mais em dar o nome, uma vez que, a esta altura do campeonato, o gentil leitor já deve ter percebido que eu não minto, da mesma forma como não invento doença para não vir trabalhar, mas os eternos cientistas e pesquisadores britânicos, ia eu dizendo, chegaram à conclusão de que a primeira segunda-feira de fevereiro é o dia escolhido para aqueles que “matam” trabalho, os tais dos “doentitos”. Meses antipáticos Por quê? Porque a danada dessa segunda-feira fica bem no eixo dos dois meses mais antipatizados do ano pelas bandas e orquestras de corda britânicas: janeiro e fevereiro. E sucede também, segundo as mesmas fontes, devido a um acúmulo de motivos. É porque as pessoas ainda estão de ressaca das férias de fim de ano, ou seja, Natal, quando gastaram dinheiro à beça e logo depois descobriram que o salário mal vai cobrir todas as despesas incorridas. Tem mais: o próximo feriadão só em abril. Chato, né? Ilustres professores afirmam que 45% da força de trabalho tira ao menos um dia de folga sem justa causa, quando ficam, claro, “doentitos”. Mais: juram as sumidades que 35% se acham plenamente justificados em fraudar os patrões devido ao reduzido número de dias de férias que cabe, por lei, à população britânica: 22 dias apenas. Paro por aqui porque não estou me sentindo bem. Encerro, no entanto, com um caso único captado e registrado pelos estudiosos do assunto: ao que parece, em suas pesquisas e sondagens, eles foram dar com um cidadão que não só se fez de “doentito” e matou o trabalho, como ainda por cima se deu ao luxo de ir trabalhar durante uma semana de muletas, alegando ter sido atropelado. Além do mais, jurou que o sinal estava verde para ele. |
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