70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 08 de fevereiro, 2006 - 11h31 GMT (09h31 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Doentitos
Ivan Lessa
Na verdade, eu não deveria ter escrito coluna nenhuma na segunda-feira, quando, aqui neste cantinho que me cabe, em certos dias da semana, falei das molecagens de garoto de antigamente.

Era para eu ter ligado, feito uma voz nasal, tossindo um pouco e explicado para o superior hierárquico (êpa!) que eu ia ficar de “molho”, uma vez que tudo indicava gripe brava se aproximando a 120 km/h.

Depois de ter vindo trabalhar normalmente, leio nas folhas que segunda-feira, 6 de fevereiro, é o dia mais popular do calendário para aqueles aqui chamados de “sickies”, e que hoje, porque a data passou, traduzo para “doentitos”, já que estou, como sempre, firme em meu posto.

Os cientistas e pesquisadores de sempre, que nem me incomodo mais em dar o nome, uma vez que, a esta altura do campeonato, o gentil leitor já deve ter percebido que eu não minto, da mesma forma como não invento doença para não vir trabalhar, mas os eternos cientistas e pesquisadores britânicos, ia eu dizendo, chegaram à conclusão de que a primeira segunda-feira de fevereiro é o dia escolhido para aqueles que “matam” trabalho, os tais dos “doentitos”.

Meses antipáticos

Por quê? Porque a danada dessa segunda-feira fica bem no eixo dos dois meses mais antipatizados do ano pelas bandas e orquestras de corda britânicas: janeiro e fevereiro.

E sucede também, segundo as mesmas fontes, devido a um acúmulo de motivos. É porque as pessoas ainda estão de ressaca das férias de fim de ano, ou seja, Natal, quando gastaram dinheiro à beça e logo depois descobriram que o salário mal vai cobrir todas as despesas incorridas.

Tem mais: o próximo feriadão só em abril. Chato, né?

Ilustres professores afirmam que 45% da força de trabalho tira ao menos um dia de folga sem justa causa, quando ficam, claro, “doentitos”.

Mais: juram as sumidades que 35% se acham plenamente justificados em fraudar os patrões devido ao reduzido número de dias de férias que cabe, por lei, à população britânica: 22 dias apenas.

Paro por aqui porque não estou me sentindo bem. Encerro, no entanto, com um caso único captado e registrado pelos estudiosos do assunto: ao que parece, em suas pesquisas e sondagens, eles foram dar com um cidadão que não só se fez de “doentito” e matou o trabalho, como ainda por cima se deu ao luxo de ir trabalhar durante uma semana de muletas, alegando ter sido atropelado. Além do mais, jurou que o sinal estava verde para ele.

Arquivo - Ivan
Leia as colunas anteriores escritas por Ivan Lessa.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Tato
06 fevereiro, 2006 | BBC Report
O bom, bom Bono
03 fevereiro, 2006 | BBC Report
Em busca do tempo parado
01 fevereiro, 2006 | BBC Report
Nosso fumo, nossa alma
30 janeiro, 2006 | BBC Report
Ricas leituras
16 janeiro, 2006 | BBC Report
Tristezas hibernais
13 janeiro, 2006 | BBC Report
JK, Dona Sarah e eu
11 janeiro, 2006 | BBC Report
Bebericagens
09 janeiro, 2006 | BBC Report
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade