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Ivan Lessa: Ao largo da banda larga | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Eu sempre achei o Bill Gates meio sobre o banda larga. Aqueles suéteres, aquela vozinha rouca, aqueles óculos de bocó de mola, todo aquele dinheirão. Só um débil mental, e um débil mental muito, muito rico, conseguiria chegar à proeminência a que ele chegou e à tuturama desenfreada que acumulou. Não saísse mundo afora fazendo caridade e ia morrer ou de mão seca ou de chumbo de americano enfezado e entediado, essa tão comum e fatal combinação de nosso país irmão. Venho pensando muito em Bill Gates, desde que decorei uma frase por ele pronunciada em Lisboa, no decorrer de um fórum destinado a exaltar os benefícios da modernização dos sistemas informáticos governamentais, sejam esses portugueses ou não. Disse, na ocasião, o celebrado fundador da Microsoft, tido por alguns como Mr. Informática, dono, guardião e amante de uma fortuna calculada em US$ 47 bilhões, que a papelada referente à sua declaração anual de imposto de renda tinha de ser mantida e processada em um computador especial, uma vez que os computadores normais do governo não conseguiam lidar com as cifras todas. Pausa para fazer no rifle de mentirinha a mira imaginária no meio da testa verdadeira de Bill Gates. Parece que a gracinha não fez um sucesso espetacular. Muitos dos presentes acham mais graça naquela célebre piada do papagaio fanho, que no Brasil todo mundo conhece. O fato do “nerd” (como traduzir a palavra? Paspalhão apenas ou debilóide bom de tecnologias?) ser um filantropo de mão cheia não lhe dá o direito de tripudiar das classes menos privilegiadas. Até o momento em que escrevo, ainda se pode fazer charge política do potentado trapalhão. Ou simples e grotesca caricatura sem nenhuma intenção de servir ao interesse público. Apenas por deboche e de sacanagem, pura implicância com essa popular figurinha difícil. Então, pau nele, minha gente. Não, não é preciso degolar, nem mandar bala. Só desejar que seus olhos virem para dentro, a cabeça dê um giro de 360º e que ele passe 24 horas vomitando verde, feito a menina de “O Exorcista”. Certas verdades são insofismáveis: em boca fechada não entra mosca. Eu, que pensava em passar meu fiel laptop para o bando da tribo dos banda larga, só de implicância com a “boutade” (ide aos dicionários, internautas, ide aos dicionários eletrônicos!) do parvo zilionário, ficarei aqui por meu canto mesmo, na popa de minha – nem jangada, nem gôndola – embarcação (um pedalinho talvez) remando (ou pedalando) contra a tirania da bazófia e da presunção. |
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