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Atualizado às: 20 de fevereiro, 2006 - 11h44 GMT (09h44 Brasília)
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The book is on the table
Ivan Lessa
The book is on the table. Ao ouvirmos esta frase, eu, você e todo mundo sabemos que o livro está – definitivamente – sobre a mesa.

Segundo o Conselho Britânico, que sabe dessas coisas, estamos próximos do dia em que 2 bilhões de pessoas entenderão a supracitada frase, outrora misteriosa.

Desses 2 bilhões, capaz até de mais de 1 bilhão não confundir com the book is in the table, um fenômeno não dos mais raros mas completamente diferente.

O Conselho, ou British Council, como tantos preferem (como se fosse uma banda de rock), num estudo divulgado agora mesmo, na semana passada, revela que a dominação mundial do inglês, que vinha e ainda vem trazendo benefícios econômicos e culturais ao Reino Unido há uns bons 100 anos, está prestes a se tornar em ameaça, e ameaça ferrenha, à posição do país no cenário internacional.

O bom Conselho não menciona o fato de que, nesse século de hegemonia, no mínimo 50 anos ficam por conta dos filmes, gibis e músicas que os americanos andaram espalhando mundo afora.

Mas ao que interessa: a descoberta e o raciocínio do Conselho. A vantagem de saber direitinho, com pronúncia certa e inflexão correta, aonde é que o raio do livro se encontra (on the table, lembram?), cabia tradicionalmente os cidadãos do Reino Unido.

A predominância está se extinguindo, diz David Graddol, autor do relatório, uma vez que milhões de estudantes em outros países falam não só inglês (ele não admite que, na verdade, é americanês) como, no mínimo, uma outra língua.

Segundo ele, os estudantes britânicos deveriam ser encorajados a aprender o que chama de “as línguas do futuro”. A saber: o espanhol, o mandarim e o árabe.

Sorry, mas ele não incluiu o português na lista. Esperemos pelo século que vem, quem sabe?

O relatório revela ainda que, na China, 60% das crianças que cursam o primário, aprendem inglês, e que na Índia e na China o inglês é falado com mais fluência do que em qualquer outro país do mundo, Brasil inclusive (Sorry, periferia, como diria o Ibrahim).

Em suma, o espiquíngres não é mais privilégio do Conselho Britânico.

Nem mesmo do Conselho Americano, se esse existisse e se interessasse por essas coisas que não levam a uma prisão em base do Tio Sam em Cuba, país-ilha, onde, lembremos, fala-se o espanhol, uma das línguas do futuro (com ou sem Fidel), juntamente com o mandarim e o árabe, as tais das três línguas lidas, escritas e faladas de um futuro não muito distante.

Vamos ver, ao menos, se nessas três novas línguas globalizantes e globalizadoras, os bilhões e tanto que as praticarem, como nós brasileiros fazemos hoje, não se acostumem a ir escrever e falar errado durante décadas em tudo quanto é jornal, revista ou televisão.

Que haja um happy ending, enfim, gerundiando corretamente. Nunca, jamais, conforme a gente tem a mania de tacar lá, um "happy end". "Final feliz" e não "fim feliz", confere?

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