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Atualizado às: 10 de julho, 2005 - 07h21 GMT (04h21 Brasília)
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Mais de 3 mil britânicos foram 'treinados pela al-Qaeda'
Trem em que ocorreu a explosão na estação de Aldgate
Flores foram colocadas para as vítimas na estação de Kings Cross
As bombas que explodiram em Londres na quinta-feira foram "quase que certamente" um trabalho de "terroristas nascidos ou baseados na Grã-Bretanha", segundo um ex-chefe da Polícia de Londres (Metropolitan Police).

Em um artigo no tablóide britânico News of the World deste domingo, o ex-diretor da polícia Lord Stevens disse que o serviço de inteligência britânico tem o conhecimento de que pelo menos 3 mil pessoas nascidas ou baseadas na Grã-Bretanha teriam sido treinadas em campos da rede militante al-Qaeda.

Os comentários do especialista ocorrem em meio à maior investigação já realizada pelas autoridades britânicas, que tentam desvendar os culpados pelos ataques que mataram 49 pessoas e deixaram mais de 700 feridos.

"Li comentários sugerindo que tratam-se de terroristas argelinos, marroquinos ou de outras nacionalidades. Mas acho isso uma ilusão preconceituosa. É verdade que terroristas internacionais podem ter providenciado artefatos ou até pessoal para conduzir os ataques. Mas quase com certeza essa operação foi elaborada em solo britânico", escreveu Stevens em um artigo para o jornal.

O ex-chefe da polícia londrina foi o comandante principal da polícia durante cinco anos até se aposentar, no ano passado.

Ele teria sido o principal elaborador das estratégias britânicas para prevenir ataques na Grã-Bretanha após o 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Para ele, "há pessoas suficientes na Grã-Bretanha dispostas a tornaram-se terroristas islâmicos".

O ex-chefe da polícia afirma que havia alertado o governo, há alguns meses, sobre a existência de pelo menos 200 pessoas no país capazes de "tirar a vida de inocentes".

O especialista acha que pelo fato dessas organizações serem muito soltas, com células espalhadas por diferentes cantos de Londres e do país, "é muito difícil penetrar nelas e reunir inteligência".

"O essencial, portanto, é tentar entender o seu passado".

"Políticos, serviços de segurança e polícia não são capazes de combater o terrorismo. Apenas as comunidades podem fazer isso".

Lord Stevens sugere que a imensa comunidade muçulmana britânica ajude a polícia nas investigações.

Sincronia

As investigações sobre os ataques continuam neste domingo - quando Londres será palco de vários grandes eventos, como um jogo de críquete entre Inglaterra e Austrália e um evento para marcar o 60º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

Os eventos estão sendo encarados como um teste de segurança para a capital.

No sábado, a Polícia Metropolitana de Londres afirmou que as três bombas que explodiram no metrô da cidade na quinta-feira foram detonadas com intervalos de segundos uma da outra, indicando que os ataques foram coordenados e simultâneos.

As bombas explodiram por volta das 8h50m (4h50m horário de Brasília). Já a bomba no ônibus explodiu "significativamente mais tarde", de acordo com Andy Trotter, subcomandante-assistente da Polícia Metropolitana londrina, por volta das 9h47m (5h47m em Brasília). A polícia disse desconhecer por que o ônibus explodiu depois.

A polícia afirmou ainda não ter pistas concretas sobre os responsáveis pelos ataques e reiterou que ninguém ainda foi preso em conexão com os atentados.

Sobre as bombas no metrô, ainda não se sabe se os responsáveis carregavam as bombas, detonando-as na mesma hora, ou se bombas-relógio foram colocadas nos veículos.

"O mesmo com o ônibus. Não se sabe se um homem bomba suicida se explodiu com a bomba, ou se ele deixou a bomba no interior do veículo. O que sabemos mais certamente é que a bomba estava em um pacote e provavelmente não atrelada ao corpo do criminoso", afirmou Trotter.

Espanha

Uma enorme investigação forense e de inteligência está ocorrendo neste sábado em Londres - o que a imprensa vem definindo como a maior da história na Grã-Bretanha.

Enquanto isso, a polícia ainda busca corpos sob os escombros da explosão que aconteceu entre as estações de King's Cross e Russell Square. O túnel é muito fundo e pouco seguro, segundo a polícia.

"Os túneis são quentes, cheios de poeira e perigosos. As condições são muito difíceis", disse Andy Trotter.

Investigadores que trabalham nos trilhos do metrô e outros locais dos atentados estão tentando estabelecer que tipo de explosivos foram usados nos ataques.

Os policiais da cidade também fazem uma grande busca por suspeitos por meio das câmeras da polícia espalhadas por toda Londres (CCTV).

Bombas

Uma linha anti-terrorismo foi estabelecida por meio da qual pessoas podem ligar para falar sobre suspeitos.

De acordo com o especialista em defesa da BBC Frank Gardner, ainda há várias questões a serem investigadas.

"Uma das mais importantes é saber se se tratam de terroristas britânicos ou vindos de fora especialmente para os ataques", diz.

O especialista acredita que uma das possibilidades é que o construtor da bomba seja um especialista vindo de fora que instruiu os detonadores da bomba.

Outra investigação consiste em saber se os responsáveis pelo ataque estão diretamente ligados à rede Al-Qaeda, de Osama Bin Laden.

"O profissionalismo dos ataques indica que eles podem ter ligações com o alto comando da organização", diz Gardner.

O correspondente afirma que a cooperação internacional está sendo grande nas investigações em Londres, envolvendo profissionais americanos, europeus, do Oriente Médio e do sul da Ásia.

Segundo Andy Hayman, especialista de Operações da Polícia Metropolitana, exames dos peritos indicam que cada uma das bombas tinha cerca de 4,5 kg.

Números

A Scotland Yard confirmou no sábado que sete pessoas morreram na explosão na estação de Liverpool Street, outras sete em Edgware Road, 13 na explosão do ônibus em Tavistock Square e pelo menos 21 na explosão em King's Cross. Uma 49ª pessoa morreu no hospital mais tarde.

Há cerca de 700 feridos, 350 pessoas internadas sendo que 22 em estado grave.

Além de britânicos, também estão entre as vítimas cidadãos de Serra Leoa, Austrália, Portugal, Polônia e China.

Um grupo chamado Organização da Al-Qaeda Jihad na Europa, até então desconhecido, reivindicou responsabilidade pelo ataque em uma página da internet, mas a sua autenticidade não pôde ser verificada.

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