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Região do centro financeiro 'parece cidade-fantasma'

Quando estava indo para o trabalho, o metrô parou perto da estação de Finsbury Park. Nada de especial: a princípio parecia mais um atraso, algo que é tão comum no metrô da cidade.

Animadas com a vitória de Londres na disputa pela Olimpíada de 2012, as pessoas no começo encararam o evento com bom humor.

"É assim que a gente quer sediar uma Olimpíada?", perguntou um passageiro, rindo. "Temos muito o que aprender nos próximos sete anos", disse outro.

Um outro trem encostou atrás do nosso, e o condutor, manobrando um pouquinho para ajeitar o trem, ainda arriscou uma piada: "É a corrida olímpica".

Mas começou a demorar demais, e logo o bom humor foi dando lugar a irritação e ansiedade.

Não demorou para o condutor começar a dar as más notícias: todo o sistema de metrô estava parado, teríamos que voltar para a estação anterior.

O outro trem havia encostado para que pudéssemos deixar o nosso. Ele voltou na direção oposta, e, mais de uma hora depois de o trem ter parado, saí à rua e decidi ir trabalhar a pé.

Não tinha idéia do que havia acontecido. Estava impossível usar o telefone celular, pois não havia cobertura.

Finalmente consegui falar com a redação da BBC Brasil e fui orientado a seguir em direção à estação de Liverpool Street, onde teria ocorrido a primeira explosão.

Pelo caminho, muita gente preocupada, alguns contando ter visto corpos em Aldgate East, outra das estações atingidas.

Um senhor muçulmano dizia enquanto andava que os autores deste tipo de coisa "são uns covardes"; uma vendedora de jornal me disse que sua filha havia sido hospitalizada e perguntou: "Será que essas pessoas não têm família?".

Lotação

Na rua, a via que ia em direção ao norte de Londres estava completamente lotada; a outra, que rumava para Liverpool Street, parecia uma estrada-fantasma.

Os táxis estavam todos lotados, então só dava para ir a pé; muitos juntavam vários passageiros de uma vez, como se fossem lotações.

A maior dificuldade continuava sendo conseguir telefonar para qualquer lugar que fosse.

Não conseguia telefonar para o Brasil para falar com a minha família; só depois de meio-dia pude avisar que estava bem.

Finalmente cheguei à estação de Liverpool Street, no centro financeiro de Londres. Toda a área em torno da estação totalmente isolada. Helicópteros sobrevoavam a área, que parecia uma cidade-fantasma.

Todo o comércio em Liverpool Street estava fechado, e sob as marquises dos prédios das redondezas um grande número de pessoas esperavam para ter alguma idéia de como poderiam continuar suas viagens. Liverpool Street é uma das estações mais movimentadas de Londres.

Encontrei uma funcionária do metrô e expliquei que precisava seguir até a BBC. Ela riu e foi taxativa:

"Do jeito que está, amigo, vá para casa e fique vendo TV."

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