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Atualizado às: 10 de setembro, 2004 - 12h58 GMT (09h58 Brasília)
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Art Spiegelman sai das sombras com livro sobre 11/9

Caio Blinder
Os atentados do 11 de setembro são uma sombra na vida do cartunista Art Spiegelman.

Natural para quem testemunhou a tragédia das torres do World Trade Center em Nova York da porta de casa e visceral para um artista que costuma dizer que o desastre é sua musa de inspiração.

O resultado está aí: "In the Shadow of No Towers" é o primeiro livro para adultos de Spiegelman desde os dois volumes do controvertido e premiado "Maus", sobre os gatos nazistas que perseguiam ratos judeus.

Spiegelman é filho de sobreviventes do Holocausto e em 11 de setembro de 2001 ele correu para pegar a filha na escola que ficava perto do World Trade Center.

Mais do que ter o desastre como musa de inspiração, Spiegelman é um cartunista que se concentra nos grandes traumas da história e como eles afetam sua vida.

Material de um neurótico assumido, o livro é um diário sobre os horrores e absurdos dos últimos três anos e reúne, em parte, produção já publicada, mas não exatamente onde o artista gostaria que tivesse sido.

Ácido e cru, Spiegelman não pôde ser absorvido por um país anestesiado no 11 de setembro, quando o questionamento da resposta oficial aos atentados foi abafado por uma paranóia patriótica.

A primeira resposta de Spiegelman ao 11 de setembro foi uma capa praticamente negra da revista The New Yorker com a icônica imagem retangular das torres quase que imperceptíveis.

Esta também é a capa do livro agora publicado. O resto do material, porém, é pouco conhecido do público americano.

Além do trauma, Spiegelman também expressou fúria com o governo Bush e a guerra do Iraque.

Diz que o "seqüestro da América foi forjado com o seqüestro de aviões" naquele 11 de setembro.

A revista The New Yorker, na qual Spiegelman colaborava por mais de dez anos e que tem sua mulher como diretora de arte, pediu que ele moderasse o tom de sua fúria.

O cartunista pediu demissão. Ofereceu trabalho ao The New York Times. Um dos mais aclamados artistas americanos não teve resposta do mais importante jornal americano.

Ele encontrou espaço originalmente no jornal alemão Die Zeit e no lendário mais pouco influente semanário judaico nova-iorquino Forward.

Spiegelman é o próprio personagem. Em um painel, ele está exausto debruçado sobre a mesa de trabalho. De um lado está um árabe de turbante segurando uma lâmina ensangüentada. Do outro, George W. Bush segurando a bandeira americana e uma arma. Atrás há um poster com a frase "Desaparecido: O cérebro de A. Spiegelman. Visto pela última vez em Manhattan em meados de setembro de 2001".

Como se vê, o cartunista publicou um diário sobre um homem que perdeu sua cabeça. Material dilacerante há três anos, assim como hoje, assim como sempre, apesar do narcisismo do autor.

Como lembrou o The New York Times, nas palavras e imagens de Spiegelman há uma colagem de testemunho, fantasia e paranóia.

É um material fragmentado que não tem o mesmo impacto e intimidade de "Maus", mas é uma resposta de uma grande artista a uma tragédia suprema. É uma crônica do pavor, indignação e alienação compartilhadas pelos americanos.

Quando Spiegelman sai das sombras, nós entramos.

Art Spiegelman
In the Shadow of No Towers
Pantheon Books, 42 páginas, US$ 19,95

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