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Caio Blinder: Democratas insistem que Kerry será resoluto na guerra | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No início da convenção democrata em Boston, na segunda-feira, o ex-presidente Bill Clinton disse que era soldado de infantaria na campanha para desalojar o republicano George W. Bush e colocar John Kerry na Casa Branca. Ao longo de quatro dias, culminando na coroação de Kerry na quinta-feira à noite, as tropas democratas, aguerridas e disciplinadas como raramente aconteceu, saíram em defesa do ex-tenente da Guerra do Vietnã para fechar o flanco de percepção de que o seu candidato nas eleições de novembro não tem condições de proteger o país como Bush, o "presidente da guerra". Com o fogo cerrado das metáforas militares, Kerry iniciou seu discurso na quinta-feira batendo continência e dizendo que está se apresentando para cumprir o seu dever. E para dissipar qualquer dúvida de que ele será forte e determinado, o senador por Massachusetts lembrou que "defendeu este país como um jovem homem e o defenderá como presidente". É sintomático que Kerry tenha começado seu discurso de aceitação da candidatura carregando em questões de segurança nacional e não em temas domésticos que são mais familiares ao seu partido. Uma guerra diferente Kerry quer ser uma alternativa segura a Bush. São tempos de guerra, mas os democratas não prometem a mesma guerra dos republicanos. Prometem usar a força, mas com sabedoria e critério. Na frase de Kerry, sob seu governo, o país não iria a guerras "porque quer, mas só se tiver de fazê-lo". São tempos incertos na guerra e na economia, mas Kerry e as tropas democratas batem na tecla de um otimismo clintoniano, que tem um herdeiro no senador John Edwards, o candidato a vice. Nos discursos ao longo da semana, os republicanos eram descritos como partidários de uma política de medo e de ódio, enquanto os democratas anunciavam dias de esperança e de liberdade. Sim, são tempos incertos. Os americanos têm dúvidas sobre o atual comandante-em-chefe Bush, mas também têm dúvidas sobre o tenente que quer sucedê-lo. A convenção em Boston foi mais um lance na dura tarefa de convencer uma parcela indecisa e crucial do eleitorado de que Kerry pode dar conta do recado. Mensagem positiva As pesquisas mostram que para os americanos o país está indo na direção errada. Péssima notícia para o atual administrador. Mas é ilustrativo que o candidato democrata esteja apenas empatado com Bush nas pesquisas de intenções de voto em novembro e não com uma boa vantagem. Não basta para os democratas apenas martelar Bush. O filme da campanha não pode ser o de Michael Moore. Não se motiva o eleitorado só com raiva, sarcasmo ou mesmo ódio do presidente. Não é à toa que a convenção em Boston fez o possível para projetar uma mensagem positiva. Convenções dão um impulso para um candidato, mas os democratas advertem contra as altas expectativas e não querem saber de uma trágica analogia. Na eleição de 1988, um outro político de Masachusetts (Michael Dukakis) deu um salto de 17 pontos nas pesquisas após a convenção. Sua queda depois foi formidável e ele perdeu a eleição para um candidato republicano chamado George Bush. O referencial preferido pelos democratas é outro. Desde Ronald Reagan em 1980, nenhum desafiante presidencial esteve em uma posição tão boa como Kerry agora. A dinâmica da corrida eleitoral talvez não se altere profundamente com esta convenção de Boston e os republicanos se preparam para o seu espetáculo coreografado em Nova York. Até novembro será guerra. E como todos ficaram cansados de saber, disso o tenente entende. |
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