|
Principal esperança de Bush continua sendo John Kerry | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Vá lá. George W. Bush mereceu comemorar o 4 de julho, data da independência americana. Foi o triunfo de um povo que lutou por sua liberdade e inspirou tantos outros povos oprimidos. Mas o presidente americano tinha outros motivos para celebrar. A menos de quatro meses das eleições, as coisas poderiam estar piores para um político que luta por mais quatro anos de poder. Consolo Os números não são muito encorajadores para o presidente. Várias pesquisas divulgadas nos últimos dias confirmam que existe um empate técnico na disputa entre Bush e o desafiante democrata John Kerry. Nas enquetes, o presidente tem a mais baixa taxa de aprovação (inferior a 50%) desde a posse em janeiro de 2001. O consolo é o de sempre: o senador Kerry não consegue capitalizar como deveria a posição precária do presidente. Junho foi um mês particularmente intenso para Bush. Ele participou de várias reuniões de cúpula, tanto na Europa como dentro de casa. A idéia era cicatrizar as feridas com aliados e costurar apoio para a política americana no Iraque. As feridas não sangram tanto assim e Bush pôde apregoar o apoio unânime do Conselho de Segurança da ONU à transferência da soberania formal ao Iraque, mas o presidente francês Jacques Chirac deixou claro em várias ocasiões que vai continuar a cutucar os americanos nos pontos machucados. Jogo O pós-guerra no Iraque continua sendo basicamente um fardo anglo-americano. E que fardo. Bush jogou suas fichas no Iraque e agora é um refém de uma situação incerta. Ele espera que o governo provisório de Iyad Allawi contenha a insurgência, ganhe alguma legitimidade e consiga administrar as eleições do ano que vem. Essa é a estratégia de saída da Casa Branca. O jogo geopolítico não pode ser desvinculado do calendário eleitoral americano. O objetivo de Bush é que as coisas se acalmem nos próximos meses, mas os soldados americanos seguem no país na condição de alvos sistemáticos de emboscadas e insuflando a insurgência. Nada muito promissor, mas, vale repetir, poderia ser pior. Basta ver onde Bush estava meses atrás em meio ao questionamento do seu papel para prevenir os atentados do 11 de setembro, o crescente ceticismo sobre as justificativas para ir à guerra no Iraque, as revelações sobre o abuso de prisioneiros em Abu Ghraib e a escalada de violência no país. Os estrategistas da Casa Branca acreditam que seja possível conter a maré de más notícias. Corrida Afinal, Kerry não teve um salto nas pesquisas apesar de sua blitz publicitária e a transferência da soberania no Iraque pode alterar a dinâmica da situação. Mas John Harwood, um dos principais repórteres políticos do Wall Street Journal, diz que a esta altura do campeonato os republicanos precisam estar muito mais preocupados do que os democratas com o cenário político. Em primeiro lugar, porque a corrida eleitoral é um referendo sobre o presidente e os números dele estão caindo, embora evidentemente Bush não esteja fora do páreo. O outro ponto é que, enquanto junho era o mês talhado para o reforço cristalino da posição de Bush, julho será o mês sob medida para Kerry ganhar vantagem. Calendário Tudo indica que o candidato democrata esteja prestes a anunciar o nome do seu companheiro de chapa, o que supostamente dará ímpeto à campanha. E no final de julho deverá acontecer a consagração de Kerry na convenção democrata em Boston. Pela dinâmica eleitoral, dentro de um mês o desafiante terá uma substancial liderança nas pesquisas. Há uma outra questão preocupante para os republicanos. A economia, de fato, está em processo de recuperação, mas o ritmo não é exuberante e talvez, como aconteceu nas eleições de 1992, quando o outro presidente Bush foi derrotado por Bill Clinton, não seja suficiente para favorecer o ocupante de plantão da Casa Branca. Sim, depois de julho vem agosto, o mês da convenção republicana em Nova York, mas no geral o calendário até novembro não favorece um presidente que parece ter cada vez menos razões para celebrações. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||