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Apesar de ser 2ª opção, Edwards dá fôlego a Kerry | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O senador John Edwards foi o último adversário de John Kerry a cair na corrida das primárias democratas no começo do ano. Ele leva o prêmio de consolação ao ser escolhido para ser o companheiro de chapa de Kerry na maratona presidencial americana que termina em novembro. Edwards, no entanto, não era a primeira escolha do senador por Massachusetts. Kerry cortejou o senador republicano John McCain, para o desespero da Casa Branca. A chapa bipartidária com dois heróicos veteranos do Vietnã seria imbatível. O flerte murchou e agora a campanha republicana vai explorar o fato de que Edwards tenha sido apenas a segunda opção para ser o segundo de Kerry. Sonho americano Edwards, de certa maneira, traz o seu próprio componente heróico à maratona presidencial. Bem ao estilo do sonho americano, ele veio de família pobre de uma pequena cidade para se tornar um bem-sucedido e milionário advogado. Na política, investiu contra as grandes corporações. Edwards compensa sua falta de experiência, especialmente em política externa, com o vigor e um apelo populista que contrastam com a postura mais travada e aristocrática de Kerry. A escolha de Edwards indica necessidades de curto prazo de Kerry para injetar dinamismo na campanha, em meio a uma certa frustração nos círculos democratas que o candidato não esteja conseguindo capitalizar como deveria os problemas do presidente Bush. Edwards é do conservador Estado da Carolina do Norte (sul dos EUA), o que amplia o arco da chapa democrata na medida em que Kerry é do liberal e nortista Massachussetts. Com todo o frenesi gerado em torno de Edwards, os eleitores não estão extremamente preocupados com o vice na hora de votar, mas, em eleições muito apertadas, o nome dele pode se revelar crucial. Basta lembrar que nas últimas semanas as especulações sobre o vice de Kerry chegaram a conter 71 nomes. A ridicularização do cargo ficou para trás. Há muitas evidências de que o emprego vale muito mais do que em 1848, quando Daniel Webster disse que não estava interessado na função porque "não queria ser enterrado antes de estar realmente morto". Sem escritório O candidato a vice não é um peso morto no cargo. Da posição secundária, ele emerge como uma força na política nacional e como um fortíssimo candidato para um dia ser o presidente. Já foi muito diferente. Até 1952, o vice-presidente nem tinha escritório na Casa Branca e era mal informado sobre as decisões presidenciais. Quando assumiu em abril de 1945, com a morte de Franklin Roosevelt, Harry Truman foi surpreendido com o progresso para desenvolver a bomba atômica, usada meses mais tarde no Japão. O atual vice-presidente, Dick Cheney, e o antecessor Al Gore estão entre os mais influentes da história. Cheney é conselheiro-chave do presidente e os detratores mais venenosos dizem que ele é o cérebro de Bush. Cheney teve papel vital na resposta americana aos ataques terroristas do 11 de setembro e na decisão de invadir o Iraque. A ironia é que, apesar de todo o seu poder e influência, Cheney não tem ambições presidenciais. No caso de Edwards, não há a menor dúvida de que ele não irá se contentar com a medalha de prata. Primeiro, é claro, precisa conquistá-la em novembro. |
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