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Caio Blinder: Livro contra Michael Moore é grosseiro como seu alvo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma ducha de água fria no incendiário Michael Moore. O diretor de Fahrenheit 11 de Setembro é establishment. Ele deixou de ser um guerrilheiro cultura para se converter em uma bem sucedida indústria de controvérsias. As ações deste empresário da encrenca bem humorada, mas pouco sutil, geram reações igualmente explosivas e pouco sutis. E os reacionários também faturam. Basta ver quem está na lista de best-sellers. O livro editado por David T. Hardy e Jason Clarke - dois obcecados inimigos direitistas de Michael Moore - se tornou um dos mais vendidos nos EUA logo depois que o documentário anti-Bush estreou nos cinemas americanos. Tem um título fulminante, embora previsível. Chamar Michael Moore de um "branco gordão e estúpido" é uma alusão grosseira a Stupid White Men: Uma Nação de Idiotas, o best-seller do polemista. Para o homem, um pouco do seu próprio veneno. Com o espetacular sucesso de Moore, era natural uma contra-ofensiva. Da carga da cavalaria participam até vozes normalmente simpáticas à retórica do polemista, mas que se irritaram com o seu tom panfletário, carente de nuances e autopromocional. Mas qual é a graça em ler material crítico a Michael Moore em jornais como Le Monde? Parece ser bem mais sedutor ir para o outro lado do muro para ver as pedras que estão sendo disparadas por aqueles que se dedicam a desconstruir um pesado símbolo da resistência ao establishment. Hardy e Clarke operam sites na Internet dedicados a desmascarar Michael Moore. Por trás do esforço existe uma indisfarçável exasperação com o sucesso do polemista. Nos 18 ensaios repetitivos do livro há poucas tentativas para explicar o fenômeno. Existe, isto sim, a obsessão em investir contra o narcisismo e meias verdades de Michael Moore. No final das contas é uma frustração. Falta argúcia nas críticas direitistas contra o incendiário escritor e cineasta. O tom amador fica ainda mais patente porque material que até funciona por seu imediatismo e informalidade na Internet torna-se, well, estúpido quando publicado como livro. Nos delírios, Moore é até comparado a Hitler e, mais bizarramente, a Sayyid Qutb, o ideólogo do grupo fundamentalista egípcio Fraternidade Muçulmana, fundado na década de 20. Com sua obsessão passional em denegrir Michael Moore, Hardy e Clarke não têm cabeça fria para refletir sobre a vulnerabilidade do alvo em termos de estilo e metodologia. O livro teria sido ainda pior sem a contribuição neste sentido do ensaio de Andrew Sullivan. Para a alegria de Michael Moore, os autores exageram a importância do seu alvo. Por esta lógica dá até para acreditar que o diretor de Fahrenheit 11 de Setembro realmente tenha capacidade para derrubar o presidente que ele tanto odeia. Vale lembrar que tal importância era igualmente atribuída a um Michael Moore vociferante da direita, o radialista Rush Limbaugh. Nos anos 90, ele foi o rei da agitação contra o império do casal Clinton. Mas há pecados mais graves neste esforço para apagar o incêndio Michael Moore. Ninguém nega que o gordão estúpido tenha momentos muito hilários. Hardy e Clarke nunca conseguem ser genuinamente engraçados na sua investida. E não adianta. Criticar Michael Moore sem humor é simplesmente estúpido. Michael Moore Is a Big Fat Stupid White Man *Caio Blinder está de férias até o dia 23 de agosto. Esta é a sua mais recente coluna. |
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