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Atualizado às: 15 de outubro, 2006 - 11h03 GMT (08h03 Brasília)
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Coréia do Norte condena sanções aprovadas pela ONU
Enviado da China, Wang Guangya, vota a favor da resolução 1718
A China aprovou a resolução, apesar de 'restrições'
A Coréia do Norte condenou a resolução do Conselho de Segurança da ONU que impõe sanções econômicas ao país por causa do suposto teste nuclear que Pyongyang afirma ter realizado.

O embaixador da Coréia do Norte disse que o conselho agiu como um bando de "gângsteres" e que qualquer outra pressão por parte dos Estados Unidos será vista como "uma declaração de guerra".

A resolução 1718, que foi aprovada por unanimidade pelos 15 integrantes do Conselho de Segurança, inclui uma proibição à importação de vários itens militares e impõe sanções financeiras, mas não prevê o uso de força militar.

O futuro secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, disse à BBC que, caso seja necessário, está preparado para viajar a Pyongyang para ajudar a acalmar a crise.

'Reservas'

A resolução impondo sanções à Coréia do Norte foi aprovada neste sábado e logo após a votação o enviado do país à reunião, Pak Gil Yon, condenou a decisão do Conselho de Segurança.

"É uma atitude de gângsteres a decisão do Conselho de Segurança de adotar hoje uma resolução coercitiva enquanto negligencia as ameaças e as ações por sanções e a pressão dos Estados Unidos", disse Yon.

A resolução foi bem-recebida internacionalmente, mas analistas ressaltam que a barganha diplomática intensa sobre a escala e a natureza das sanções ficou evidente.

A China disse ter "reservas" em relação ao controle de cargas de navios norte-coreanos e a Rússia disse que as sanções não podem ser consideradas indefinidas.

Os dois países disseram estar temerosos de que as inspeções de carga permitidas pela resolução possam levar a confrontos navais com navios norte-coreanos.

Segundo o correspondente da BBC em Pequim Jonathan Marcus, o governo chinês está preocupado com a estabilidade da Coréia do Norte e não quer abrir caminho para nada que pareça um bloqueio naval ao país.

Aplicação das sanções

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que a ONU deu um passo "imediato e forte" para mostrar sua determinação de manter a península coreana livre de armas nucleares.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse que seu país já estava considerando mais medidas punitivas contra Pyongyang.

Seu governo já tinha imposto algumas sanções de forma unilateral na última quarta-feira, suspendendo todas as importações norte-coreanas e proibindo a entrada de navios do país em águas japonesas.

Negociações internacionais devem se intensificar nos próximos dias, quando os governos devem discutir as ações práticas para implementar as sanções.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deve visitar o Japão, a Coréia do Sul e a China nesta semana para discutir os detalhes da implementação das restrições.

A ONU também vai ter de determinar formas de controlar o funcionamento do regime de sanções.

O ministro do Exterior da Coréia do Sul afirmou que vai honrar as novas sanções e pediu para que o Norte retorne às negociações entre seis nações sobre seu programa nuclear.

O enviado russo à reunião do Conselho de Segurança, Alexander Alexeyev, que se reuniu com Pyongyang antes de viajar a Seul, disse que os norte-coreanos disseram que não se recusam a voltar às conversas.

"O lado norte-coreano insistiu repetidamente que o processo de seis nações deveria continuar", disse Alexeyev segundo a agência de notícias Interfax.

Sinais de fome

Organizações humanitárias disseram estar preocupadas com a possibilidade de as sanções prejudicarem um país que já tem dificuldades para se alimentar por conta própria.

"É um país muito frágil e já existe muita miséria e nós estamos tentando tomar conta das pessoas", disse Jaap Timmer, chefe da delegação de Pyongyang da Cruz Vermelha, à agência de notícias AFP.

"A ajuda humanitária não deveria depender de decisões políticas, por isso esperamos que de um ponto-de-vista moral, qualquer pressão contra o governo não gere impactos à população."

Erica Kang, do grupo humanitário sul-coreano Good Friends disse que existem sinais preocupantes de fome, remanescentes das crises dos anos 90.

"Existem mais pessoas comendo alimentos alternativos, tendo de estocar em vez de ter um grão para comer... o inverno está chegando e estamos muito preocupados com isso", disse Kang.

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