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Discurso do 'eixo do mal' assombra Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O discurso de 29 de janeiro de 2002 sobre o "eixo do mal" irá assombrar George W. Bush até o final do seu governo e para sempre nos livros de História. Sob ovação na sessão conjunta no Congresso no pronunciamento ritualístico sobre o "estado da União", o presidente foi além da fugaz vitória contra o Talebã afegão e a rede Al-Qaeda, após os atentados do 11 de setembro, preparando o terreno para uma guerra muito mais ampla, vaga e ao mesmo tempo maniqueísta. Os campos de batalha foram identificados em termos mais metafísicos do que geopolíticos ou ideológicos. Era a luta do bem contra o mal. Bush especificou o Iraque da ditadura secular de Saddam Hussein, o regime dos aiatolás iranianos e a relíquia stalinista norte-coreana para declarar: "Estados como estes, e seus aliados terroristas, constituem um eixo do mal, armando-se para ameaçar a paz do mundo. Ao buscar armas de destruição em massa, estes regimes representam um grave e crescente perigo. Em cada um destes casos, o preço da indiferença seria catastrófico". Mundo pós-Guerra Fria Quase cinco anos após o discurso sobre o "eixo do mal", a situação é catastrófica, diagnosticada da seguinte forma por Thomas Friedman, o influente colunista do jornal The New York Times: o mundo pós-Guerra Fria será definido por três componentes. O primeiro é um Extremo Oriente nuclear, deflagrado pelo anúncio do teste norte-coreano. O segundo é um Oriente Médio também nuclear, pois o Irã quase certamente irá seguir a iniciativa norte-coreana. A partir daí, outros países da região buscarão a bomba. E o terceiro componente é a desintegração do Iraque, na esteira da invasão de 2003, com efeitos desestabilizadores nos preços do petróleo e terrorismo. Bush foi impetuoso e pouco estudioso para reescrever os livros de História. Um veterano político americano, o ex-senador democrata Sam Nunn, comentou esta semana, após o teste nuclear norte-coreano, que o grande erro do presidente foi ter começado esta guerra metafísica na ponta errada do "eixo do mal", invadindo o Iraque em busca de inexistentes armas de destruição em massa enquanto o "grave e crescente perigo" estava na Coréia do Norte. A declaração de Nunn é um lance do jogo de culpa, com a oposição democrata responsabilizando o governo Bush por ter desviado recursos e atenção para a batalha errada (Iraque), enquanto os republicanos rebatem que o amadurecimento nuclear do irresponsável regime norte-coreano é fruto da ingênua e fracassada diplomacia do governo Clinton que negociou diretamente e fez concessões ao governo de Kim Jong Il. É preciso ir além deste jogo de culpa, para visualizar melhor a catástrofe. Cada um dos três problemas (Iraque, Irã e Coréia do Norte) está alimentando os demais, tornando as cartadas mais arriscadas e cruciais. Perigo à vista A degringolada no Iraque desgastou os EUA e limitou as opções militares de Bush no Irã e Coréia do Norte. Basta ver que a ONU tão desprezada pela Casa Branca unilateral antes da invasão do Iraque em 2003 hoje é a arena multilateral escolhida para lidar com as crises no Irã e Coréia do Norte. Já o regime de Kim Jong Il reforçou sua paranóia após o discurso sobre o "eixo do mal" e acelerou seu programa nuclear para não sofrer o mesmo destino de Saddam Hussein. Enquanto isso, o Irã acompanha atentamente as reações ao teste norte-coreano para sentir se pode seguir adiante com o seu próprio programa nuclear. Os três países grosseiramente identificados como um "eixo do mal" no discurso de 2002 são mais perigosos do que nunca. Naquele pronunciamento histórico e fatídico, Bush antecipou uma longa, mas gloriosa, guerra. Por enquanto, ele vai perdendo de 3 a 0. |
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