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Na espiral da crise norte-coreana, EUA seguem com poucas opções | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em meio a incertezas sobre a magnitude do teste nuclear anunciado pela Coréia do Norte, os EUA esperam que a iniciativa do recluso, isolado e caprichoso regime de Kim Jong-il traga clareza estratégica. Trata-se de um país desestabilizador que busca aceitação geopolítica com seus lances perigosos. A partir desta premissa, Washington espera que haja uma frente unida para deter e punir o regime norte-coreano. Na busca de um consenso estratégico internacional, há a seguinte advertência do governo Bush: se a Coréia do Norte pode fazer o que bem entende, apesar das ameaças e condenações mundiais, o Irã irá se sentir estimulado a avançar com suas ambições, sem falar é claro de outros países ainda à margem da corrida nuclear. Ao contrário do Irã, não existe ambigüidade nas ambições norte-coreanas. O regime de Kim Jong-il assume que seu programa é realmente militar, destinado à "autodefesa" contra propósitos agressivos dos americanos ou de seus aliados regionais, como o Japão e a Coréia do Sul. Aceleração Críticos da Casa Branca dizem que Bush reforçou a paranóia de Kim Jong-il com a decisão de confrontá-lo em 2002 ao mesmo tempo em que se aquecia para a guerra no Iraque. O resultado foi a aceleração do programa nuclear norte-coreano, que também é arma dissuasória em negociações para que o regime, como é, seja um dia aceito por Washington. O governo de Kim Jong-il inclusive quer o diálogo direto com a Casa Branca. Conversações evidentemente não estão na agenda neste momento. E os americanos apontam este anúncio do teste norte-coreano como uma prova do fiasco das negociações multilaterais que o governo Bush encampou relutantemente, por falta de outras opções, como no caso iraniano. É verdade que em pronunciamento na segunda-feira o presidente disse que mantém o "compromisso com a diplomacia". Estas conversações ficaram mais ou menos a cargo da China, o aliado e patrocinador de longa data da Coréia do Norte. Frustração Além de esperar pouco destas conversações (que envolviam também Japão, Rússia e Coréia do Sul), os americanos foram ficando frustrados com a relutância chinesa para realmente espremer a Coréia do Norte, em uma postura semelhante à que adota ao lado dos russos na crise iraniana. Pequim teme mais o colapso do regime de Kim Jong-il do que sua ascensão nuclear. Não se trata apenas do cenário de um fluxo de milhões de refugiados para a China. Da perspectiva estratégica de Pequim é muito preocupante a absorção do norte da península coreana pela Coréia do Sul, país aliado dos EUA, mas que diverge de Washington sobre como encarar a fera Kim Jong-il. A esperança em Washington é que desta vez o governo de Hu Jintao, apesar de suas preocupações estratégicas, dê um basta às provocações norte-coreanas e se alinhe efetivamente a um esquema de punições. A determinação para punir Kim Jong-il já é maior em Tóquio, cujo novo primeiro-ministro, Shinzo Abe, fez carreira com uma postura dura em relação à Coréia do Norte. Ingenuidade A expectativa de Washington também é de que os sul-coreanos percebam a ingenuidade de sua política de aproximação com os vizinhos. As opções militares são inviáveis neste momento: uma invasão americana seria inaceitável para chineses e russos, inconcebível devido à carga iraquiana e sangrenta para os sul-coreanos. A arena escolhida pelos americanos, portanto, é o Conselho de Segurança da ONU, o mesmo palco selecionado para o confronto com o Irã para forçá-lo a suspender o seu enriquecimento de urânio. Condenar a Coréia do Norte por sua mais recente provocação foi fácil. O que exige suor é forjar um consenso internacional por sanções efetivas. E mesmo do público doméstico veio um recado para a Casa Branca do influente deputado republicano Curt Weldon, vice-presidente do Comitê de Serviços Militares da Câmara. Ele disse apoiar a movimentação por sanções, mas ressaltou que é preciso redobrar os esforços para dialogar com o regime de Pyongyang. O risco é que a curto prazo não aconteça nem uma coisa, nem outra. |
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