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Atualizado às: 10 de outubro, 2006 - 02h17 GMT (23h17 Brasília)
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ONU reprova teste nuclear da Coréia do Norte
Sul-coreanos assistem ao teste nuclear transmitido pela TV coreana
O anúncio da realização do teste causou críticas ao redor do mundo
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e países vizinhos à Coréia do Norte reprovaram o país após o governo de Pyongyang ter anunciado que realizou seu primeiro teste nuclear.

O conselho estuda quais medidas tomar contra a Coréia do Norte, incluindo possíveis sanções contra o país.

O presidente George W. Bush disse que os Estados Unidos estão tentando confirmar se o teste foi realmente realizado. Ele o classificou de ato "provocativo", que ameaça a paz e a estabilidade.

Bush afirmou que ele e líderes regionais concordaram que as atitudes da Coréia do Norte eram inaceitáveis e mereciam uma resposta imediata por parte do Conselho de Segurança.

Sanções mandatórias

O atual presidente do órgão, Kenzo Oshima, do Japão, pediu à Coréia do Norte que se abstenha de testes adicionais e que retorne às negociações sobre seu programa nuclear.

O encontro do conselho ocorreu três dias após o grupo emitir uma declaração formal pedindo à Coréia do Norte para cancelar qualquer teste nuclear que tenha sido planejado.

Os americanos circularam um projeto de resolução de 13 pontos, em que pedem sanções.

Entre os pontos estão a suspensão do comércio de materiais que possam ser utilizados para construir armas de destruição em massa e a realização de inspeções de cargas que chegam à Coréia do Norte ou saem do país.

Outros pontos são o fim de transações financeiras usadas para apoiar a proliferação nuclear e a suspensão da importação de artigos de luxo.

Os Estados Unidos também querem que as sanções sejam adotadas conforme o capítulo sete da Carta da ONU, que significa que elas seriam mandatórias e poderiam ser aplicadas com ajuda militar.

A ministra do Exterior da Grã-Bretanha, Margaret Beckett, também disse que o país irá "forçar uma resposta robusta" conforme o capítulo sete.

Parabéns

Por outro lado, os russos e os chineses - que têm relações comerciais com a Coréia do Norte - ficaram relutantes em concordar com a idéia, segundo a correspondente da BBC Laura Trevelyan.

O embaixador americano nas Nações Unidas, John Bolton, disse que "só a afirmação de que um teste destes foi realizado já constitui claramente uma ameaça à paz internacional e à segurança".

"Se o Conselho de Segurança da ONU não consegue lidar com uma ameaça dessas nós temos de questionar qual o papel que ele poderia ter para lidar com armas de destruição em massa ao redor do mundo", disse Bolton à BBC.

"Então eu acho que os ânimos aqui são bastante fortes - certamente os detalhes têm de ser discutidos - mas em termos da primeira reação, acho que é bastante favorável e uma resolução muito forte do conselho."

Já o embaixador da Coréia do Norte, Pak Gil Kon, disse que o Conselho de Segurança deveria parabenizar Pyongyang ao invés de emitir resoluções "inúteis".

Bush

 Mais uma vez, a Coréia do Norte desafiou a vontade da comunidade internacional, e a comunidade internacional vai responder
George W. Bush, presidente americano

Em seu primeiro pronunciamento público sobre o tema, o presidente americano, George W. Bush, disse que o teste coreano "constitui uma ameaça à paz e à segurança internacional".

Bush disse que conversou com líderes chineses, japoneses, russos e sul-coreanos por telefone e todos reafirmaram seu compromisso com uma península coreana livre de armas nucleares.

"Mais uma vez, a Coréia do Norte desafiou a vontade da comunidade internacional, e a comunidade internacional vai responder", afirmou Bush nesta segunda-feira.

"O regime da Coréia do Norte continua sendo um dos que mais prolifera tecnologia balística, incluindo transferências para o Irã e para a Síria", disse Bush. Para ele, o desenvolvimento de tecnologia nuclear não ajudará o povo "oprimido e pobre", que merece um futuro melhor.

Brasil e o mundo

O governo brasileiro divulgou uma nota condenando "veementemente" o teste nuclear coreano. No comunicado, o Itamaraty pede que a Coréia do Norte reintegre-se "sem condições e como país não nuclearmente armado ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares".

Os testes nucleares conduzidos pela Coréia do Norte nesta segunda-feira provocaram várias reações negativas na comunidade internacional.

A China, tradicional aliada norte-coreana, não poupou Pyongyang de críticas. “A República Democrática da Coréia do Norte ignorou a oposição generalizada da opinião internacional e conduziu um teste nuclear em 9 de outubro”, diz um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.

“O governo chinês se opõe firmemente a isso. O governo chinês exige que a Coréia do Norte abra mão de seu programa nuclear e suspenda qualquer ação que possa agravar ainda mais a situação”, afirma.

“Estou ciente da declaração da Coréia do Norte sobre a realização de um teste nuclear”, disse o premiê japonês, Shinzo Abe. “O Japão está em contato com os Estados Unidos e com a China para troca de informações de inteligência... e discutirei com a Coréia do Sul como será nossa resposta”, afirmou.

A Coréia do Sul disse que responderá com firmeza à ação norte-coreana.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que o primeiro teste nuclear norte-coreano seria "um ato completamente irresponsável".

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