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Atualizado às: 10 de outubro, 2006 - 22h31 GMT (19h31 Brasília)
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Para analista chinês, China apóia sanções, mas sem troca de regime

China teria interesse em preservar regime de King Jong Il
China teria interesse em preservar regime de King Jong Il
A China poderia aceitar as sanções propostas pelos Estados Unidos contra a Coréia do Norte no Conselho de Segurança da ONU, contanto que elas não levem à queda do líder norte-coreano Kin Jong-il, avalia o especialista em relações internacionais da City University de Hong Kong Joseph Cheng.

Para o acadêmico, a questão divergente entre a China e o resto do mundo é exatamente a troca de regime em Pyongyang.

“Se as sanções levarem à queda de Kim Jong-il, a China vai se opor”, disse em entrevista à BBC Brasil.

A China é aliada de longa data da Coréia do Norte e resiste a grandes mudanças no país. Um dos motivos disso seria a possibilidade de uma invasão de imigrantes norte-coreanos no caso de um colapso do regime.

Além disso, Pequim considera Pyongyang uma força de esquerda importante para contrabalançar a influência do Japão e os interesses dos Estados Unidos no leste da Ásia.

O Council on Foreign Relations, centro de estudos políticos baseado em Washington, nos Estados Unidos, calcula que as trocas comerciais e os investimentos da China com a Coréia do Norte somem US$ 2 bilhões ao ano.

A organização estima ainda que 70% dos alimentos e até 80% do combustível consumido pela Coréia do Norte sejam fornecidos pela China.

Nações Unidas

O analista político Bob Broadfoot, da consultoria Political and Economic Risk de Hong Kong, também acredita que a China poderia dar suporte à proposta apresentada pelos Estados Unidos e o Japão no Conselho de Segurança da ONU.

Ele acredita que a China busca ter um papel mediador, mas dadas as circunstâncias, pressionar pode ser a única opção para trazer Kim Jong-il de volta à mesa de negociações.

A proposta apresentada pelos Estados Unidos e o Japão ao Conselho de Segurança da ONU prevê 13 pontos, entre eles: a suspensão do comércio de materiais utilizados para construir armas de destruição em massa, a intensificação das inspeções de cargas, a proibição de certas transações financeiras e o fechamento de portos e aeroportos estrangeiros para navios e aviões norte-coreanos.

Apesar de a proposta envolver severas restrições, Pequim pode vir a apóia-la se concluir que não representa ameaça à liderança de Kim Jong-il.

Abstenção

“Acredito que a China deve se abster de votar no Conselho de Segurança da ONU, se as sanções forem leves aos olhos de Pequim”, afirmou o professor Joseph Cheng.

A abstenção neste caso representaria uma forma velada de aprovação, pois a China não estaria exercendo ativamente seu direito a veto.

“Grande parte dos alimentos consumidos na Coréia do Norte são fornecidos pela China, que pode impor sanções graduais nisso. Ela também pode repetir o que fez há anos atrás e fechar o oleoduto da fronteira” disse Cheng.

No começo de 2003, a China suspendeu temporariamente o abastecimento de petróleo à Coréia do Norte, mas alegou na época que o corte foi por causa de trabalhos na manutenção do oleoduto.

Equilíbrio

Broadfoot acredita que tanto a China como o resto do mundo precisam agir com prudência e encontrar um equilíbrio.

“Não se deve pressionar a Coréia do Norte a ponto de deixá-la sem opções, ou desesperada. Se for assim, não vai haver outra escolha, a não ser vender a tecnologia nuclear para países como o Irã e a Síria em troca de comida e isso vai ser pior para todos”, conclui o consultor.

Tanto Broadfoot como Cheng descartam um cenário de guerra em Pyongyang com o argumento de que nenhum país da região teria como se engajar na batalha, ao mesmo tempo que os Estados Unidos estão com as suas capacidades comprometidas no Iraque e no Afeganistão.

O risco é uma reação armamentista em cadeia, como explica Cheng. “O Japão vai reforçar seu sistema de vigilância por satélite e deve comprar mais armas. A China não vai querer ficar para trás e a Coréia do Sul, por razões óbvias, vai tentar se proteger também. Resultado: toda a região vai ficar mais militarizada”

Na edição desta terça-feira, o jornal China Daily deu como manchete Pequim decididamente contra o teste, ecoando a agência de notícias oficiais Xinhua, que qualificou o teste de “imprudente”. O South China Daily Post, jornal independente de Hong Kong, publicou na capa “Mundo condena teste nuclear na Coréia do Norte”.

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