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Atualizado às: 11 de julho, 2006 - 07h14 GMT (04h14 Brasília)
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Entenda o caso Coréia do Norte
Lançamento do míssil Taepdong-2
Testado em julho de 2006, míssil Taepdong-2 pode chegar ao Alasca
Menos de um ano após anunciar o fim de suas atividades nucleares e declarar que voltaria a seguir o Tratado de Não-Prolferação Nuclear (TNP), a Coréia do Norte volta a protagonizar nova disputa com os Estados Unidos.

O lançamento experimental de sete mísseis - incluindo um com capacidade para atingir o Alasca - recoloca a tensão nuclear de volta ao cenário internacional.

Em cinco perguntas e respostas, a BBC Brasil explica quem são os principais atores do conflito e quais são as suas preocupações, e expõe a dificuldade das negociações diplomáticas para resolver o problema:

Quem se preocupa com o potencial nuclear da Coréia do Norte e por quê?

As ambições nucleares da Coréia do Norte preocupam os Estados Unidos e seus aliados, principalmente a Coréia do Sul e o Japão.

Com acesso a tecnologia militar nuclear, Pyongyang poderia desequilibrar o balanço de forças no leste asiático, usando seu poder bélico para compensar a desvantagem diante de potências econômicas regionais.

Outra preocupação manifestada pelos Estados Unidos é a possibilidade do governo norte-coreano de vender armas e tecnologia nucleares para outros países e organizações.

Em 2002, Bush incluiu a Coréia do Norte no seu “eixo do mal”, o que fez com que os asiáticos retirassem seu apoio ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), do qual eram signatários.

Alem disso, os norte-coreanos reativaram uma usina nuclear e expulsaram inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) das Nações Unidas.

A escalada nuclear na região do leste asiático preocupa sobretudo a Coréia do Sul, o vizinho menor cuja capital, Seul, está a apenas 50 quilômetros da fronteira.

Qual é o estoque nuclear norte-coreano?

Sendo um dos Estados mais fechados do mundo, a Coréia do Norte consegue manter este tipo de informação guardada a sete chaves.

Não se sabe sequer se Pyongyang tem, de fato, as armas que afirma ter, embora provavelmente seja verdade.

Alguns estimam que o estoque seria de algumas bombas - seis, para a AIEA.

Já os Estados Unidos acreditam que seriam “uma ou duas”.

Se já as tiver, a Coréia poderia produzir mais armas nucleares?

Grande parte dos especialistas suspeita que a Coréia do Norte teve um programa nuclear ativo pelo menos até 1994, quando assinou um acordo que punha fim às atividades.

Em 2002, os Estados Unidos acusaram a Coréia do Norte de manter um programa secreto de armas nucleares, o que viola o acordo anterior.

Ao retomar a construção da usina de Yongbyon naquele ano, os norte-coreanos poderiam estar produzindo plutônio em quantidade suficiente para construir uma arma por ano, acreditam observadores.

Já a central americana de inteligência, a CIA, afirma que um programa paralelo de enriquecimento de urânio chegaria a produzir “duas ou mais bombas” por ano em meados desta década.

As tensões podem ser resolvidas de maneira pacífica?

Alguns analistas acreditam que na verdade o governo norte-coreano pretende usar a tensão nuclear para negociar um pacto de não agressão com os Estados Unidos, o que incluiria ajuda financeira.

Em 1993, o país passou por crise semelhante, mas foi convencido a suspender as atividades nucleares no ano seguinte.

A crise nuclear é discutida a seis numa mesa que reúne as duas Coréias, China, Japão, Rússia e Estados Unidos.

A China é tida como peça-chave em seu papel de tradicional aliada da Coréia do Norte. Mas a crise dos mísseis no início de julho de 2006 – em que Pyongyang ignorou pedidos da China e realizou testes com mísseis que poderiam alcançar os EUA – mostra que a influência de Pequim é limitada.

Outro ator importante nas negociações é a Coréia do Sul, o irmão rico que provê a maior ajuda financeira ao regime comunista.

Ainda que longínqua, a reunificação é uma meta da Coréia do Sul. Além de motivações humanitárias – muitas famílias ainda vivem separadas desde que o sul se separou do norte, em 1953, após a Guerra da Coréia –, o colapso do país ao norte provocaria um fluxo imenso de refugiados, causando profundo impacto nos países vizinhos.

Que passos já foram dados para resolver o conflito?

As idas e vindas são típicas na crise coreana. Ao afirmar que tem armas nucleares, Pyongyang assume ter violado o acordo de 1994, pelo qual concordava em desativar suas instalações nucleares e permitir a entrada de inspetores internacionais em troca de petróleo e dois reatores para serem usados com fins civis.

Outro impasse foi criado em setembro de 2005, quando a Coréia do Norte se comprometeu a voltar ao TNP e banir suas atividades nucleares. No dia seguinte, o país declarou que só o faria em troca dos reatores.

A tensão aumentou e, em meados de 2006, Estados Unidos e Coréia do Norte voltaram a trocar ameaças.

Em julho, o país asiático lançou sete mísseis com capacidade para levar ogivas nucleares. Acredita-se que um deles, o Taepodong-2, teria capacidade de atingir o Estado norte-americano do Alasca.

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