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Atualizado às: 05 de julho, 2006 - 15h28 GMT (12h28 Brasília)
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Coréia do Norte testa paciência mundial com mísseis

Kim Jong-Il, líder norte-coreano
Estados Unidos querem minar o regime de Kim Jong-Il
A capacidade tecnológica da Coréia do Norte é questionável, mas é indiscutível a habilidade do regime comunista de provocar uma escalada da crise sobre suas intenções nucleares.

Os testes com mísseis nos últimos dias (inclusive um de longo alcance, com potencial para atingir território americano) eram esperados. Portanto, o furor internacional em torno do desafio do regime de Pyongyang também era previsível.

As condenações vieram de todas as partes, e não poderia faltar a inevitável reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em uma reaçao imediata, o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, ressaltou que os testes foram uma provocação, mas não representavam uma ameaça direta ao seu país.

O teste não viola tratados internacionais, embora rompa uma automoratória imposta em 1999. Hadley deixou claro que no momento a contra-ofensiva de Washington é diplomática, sem planos de uma resposta militar, o que seria inviável diante do cenário pouco promissor no Iraque e a escalada da outra crise nuclear (com o Irã).

O teste com o míssil norte-coreano de longo alcance aparentemente foi um fracasso. Mas seu impacto simbólico foi certeiro, em particular porque aconteceu no 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos, e no dia do lançamento da nave espacial Discovery.

No frenesi diplomático, os Estados Unidos estão trabalhando intimamente com países afetados diretamente pela provocação norte-coreana, em especial a Coréia do Sul, Japão e China, inclusive com vistas à imposição de sanções econômicas.

EUA e Japão juntos

Washington e Tóquio têm posições mais afinadas nesta crise. Os japoneses endureceram sua postura desde 1998, quando os norte-coreanos dispararam um míssiil sobre o país e já nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores Taro Aso anunciou que a imposição unilateral de sanções econômicas é possível.

Em Washington, os testes norte-coreanos poderão ter a capacidade de impulsionar a linha dura do governo Bush, que pede sanções efetivas para isolar o regime comunista (e, em última instância, sua derrocada). A linha dura também tem mais munição no seu argumento contra a simples existência de negociações multilaterais sobre o programa nuclear norte-coreana (que estão suspensas desde o ano passado).

Koizumi e Kim Jong Il
Governo japonês ficou irritado com testes norte-coreanos

Para Washington, é fundamental que o desafio com os testes coloque o regime norte-coreano em rota de colisão com a Coréia do Sul e a China, muito mais relutantes do que os Estados Unidos e o Japão para escalar a crise.

Um alto funcionário não identificado da Casa Branca confessou ao jornal The New York Times que "nossa esperança é que os chineses fiquem furiosos". Mas é incerto se as autoridades em Pequim e Seul vão enderecer radicalmente e deixar de subsidiar o recluso país, com medo de um colapso econômico ou de lances ainda mais perigosos do dirigente Kim Jong Il.

É sempre uma tarefa ingrata tentar interpretar os lances norte-coreanos. É possível que os testes com os mísseis sejam parte de uma tática de negociação, caso as conversações multilaterais sejam retomadas. O regime de Pyongyang tem o hábito de fabricar crises antes de negociações num esforço de fortalecer sua posição de barganha.

Este costuma ser o roteiro de Kim Jong Ill, um apaixonado pelo cinema, mas nada garante que seja seguido à risca. Com o regime comunista asiático e o governo Bush, as emoções sempre são imprevisíveis e arriscadas.

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