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Atualizado às: 06 de julho, 2006 - 13h41 GMT (10h41 Brasília)
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A China pode resolver a crise da Coréia do Norte?

Arsenal de mísseis da Coréia do Norte preocupa os EUA
A China é um dos poucos aliados que a Coréia do Norte ainda tem. Pequim abastece o decadente regime de Pyongyang com alimentos, combustíveis e energia.

Nas últimas semanas, diversos líderes chineses do primeiro escalão, como o primeiro-ministro Wen Jiabao, insistiram que a Coréia do Norte deve abandonar os testes com mísseis, pois o lançamento aumentaria a tensão nas relações regionais.

Os testes realizados esta semana são um tapa na cara da China. Além disso, é o sinal de que a influência da China no governo norte-coreano não é tão grande quanto se pensava.

No entanto, os Estados Unidos ainda acreditam que a China é a chave para a solução da crise na Península Coreana. O representante de Washington Cristopher Hill está a caminho de Pequim para negociar a questão.

Corrida armamentista

A posição de Hill é bastante clara: “Nós precisamos que a China seja muito firme com seus vizinhos, em especial com a Coréia do Norte, seu aliado de longa data, sobre o que é comportamento aceitável e sobre o que é inaceitável”.

Os testes balísticos irritaram Pequim, principalmente depois de reiterados pedidos de autoridades chinesas para que os lançamentos fossem abortados.

Mas para a China, a situação é extremamente complexa. É inquestionável que sendo a China um fornecedor tão importante para a Coréia do Norte, ela ainda possui algum poder de barganha considerável.

A China se preocupa também com as ambições militares e nucleares norte-coreanas, já que o país pode provocar uma corrida armamentista no nordeste asiático.

Mas, ao mesmo tempo, Pequim não quer cortar a ajuda à Coréia do Norte, pois teme que o regime de Pyongyang possa entrar em colapso, criando uma onda de imigrantes que poderiam desestabilizar países vizinhos, como a própria China.

Por isso a China se mostrou contra qualquer tipo de sanção internacional e já deixou esta posição bem clara.

Diplomacia

Pequim ainda defende que a diplomacia é a melhor forma de lidar com a Coréia do Norte e de encontrar uma solução para a crise na Península Coreana. O governo vai pressionar para que sejam retomadas as negociações entre os seis países – as duas Coréias, a Rússia, os Estados Unidos e a própria China – que estão interrompidas.

Mas Pequim alerta que as conversas só avançarão se os Estados Unidos começarem a negociar diretamente com os norte-coreanos, uma das principais exigências de Pyongyang.

Até agora, no entanto, Washington tem se recusado a fazer isso, preferindo o foro multilateral entre os seis países.

Esta é a realidade: Estados Unidos e China concordam que há um problema, mas divergem sobre como resolvê-lo.

Cristopher Hill deve repetir todas as visões de Washington sobre o assunto e as autoridades chinesas devem novamente manifestar suas posições definitivas. Avançar além disso não será fácil.

Soldado norte-coreanoCaio Blinder
Teste de míssil coreano pode agravar crise com os EUA.
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