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Caio Blinder: Possível teste coreano abre crise de longo alcance | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A aparente iminência de um teste da Coréia do Norte com um míssil de longo alcance gerou uma escalada de tensões, mas também pode abrir algumas possibilidades diplomáticas. Os perigos são escancarados, pois um teste significará o rompimento de uma moratória autoimposta em 1999 pelo recluso regime comunista e um recado sobre seus avanços tecnológicos na medida em que mísseis como o Taepondog-2 podem eventualmente atingir os Estados Unidos - sem falar, é claro, países mais próximos da Coréia da Norte, embora Pyongyang ainda não tenha condições técnicas de carregar um míssil de longo alcance com uma ogiva nuclear suficientemente pequena. A simples possibilidade do teste justifica o alarme. Na segunda-feira, foi a vez da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, se juntar ao coro de advertências, dizendo que um teste será um "ato de provocação". Japão e outros países da região igualmente fizeram advertências lembrando que o regime norte-coreano sofrerá sérias conseqüências, como sanções internacionais, e ainda mais isolamento, caso vá adiante com esses supostos planos. Impasse As notícias sobre as preparações do teste coincidem com o impasse nas negociações multilaterais sobre o programa nuclear da Coréia da Norte, que alega já ter bombas, embora não tenha conduzido testes. As notícias também coincidem com as confusas movimentações envolvendo a questão nuclear do Irã e com um governo Bush mais do que entretido na guerra no Iraque. Aí estão os três países - Coréia do Norte, Irã e Iraque - do original "eixo do mal" cunhado pelo presidente americano para justificar a necessidade de ir à carga, e se necessário com vigor unilateral, no cenário internacional. O unilateralismo dos primeiros tempos do governo Bush foi substituído por um relutante pragmatismo, e este novo lance da crise nuclear norte-coreana é outro teste diplomático. São dias de muita ansiedade em Washington e de ausência de opções atraentes para lidar com diversas crises. No caso do Irã, é um momento de espera da resposta do regime de Teerã - que tem emitido sinais ambivalentes nas últimas semanas - ao pacote de incentivos multilaterais caso suspenda seu programa de enriquecimento de urânio. Como parte deste pacote, os americanos estariam finalmente dispostos a negociar diretamente com os iranianos. Se as intenções diplomáticas iranianas são bizantinas, as da Coréia do Norte são simplesmente indecifráveis. De um lado, um teste poderá ter um impacto simplesmente desastroso. O teste traria apenas mais turbulência: nos Estados Unidos, mais apoio aos sistemas de defesa antimísseis; no Japão, um reforço dos setores que pregam uma política externa mais agressiva; e China e Coréia do Sul, que têm se mostrado mais cautelosos para administrar a crise norte-coreana, podem endurecer. Nada mais inquietante do que um regime paranóico submetido a um cerco crescente. Mas, com o governo Bush revertendo sua política ao oferecer conversações condicionais ao Irã, o líder norte-coreano, Kim Jong Il, pode ter calculado que Pyongyang também merece reconsideração, e nada como um teste com um míssil intercontinental para chamar a atenção de Washington, Tóquio, Seul ou qualquer outra capital. A mera ameaça do teste pode ser uma jogada para movimentar a diplomacia. No entanto, como sua tecnologia nuclear, a diplomacia norte-coreana tem uma trajetória incerta e nada confiável. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Para EUA, teste de míssil norte-coreano seria 'provocação'20 de junho, 2006 | Notícias EUA e Japão advertem Coréia do Norte contra míssil18 de junho, 2006 | Notícias Japão pode ir ao Conselho de Segurança contra Coréia do Norte18 de junho, 2006 | Notícias Coréia do Norte se prepara para testar míssil17 de junho, 2006 | Notícias Coréias do Sul e do Norte retomam negociações militares02 março, 2006 | BBC Report Líder da Coréia do Norte 'viaja para a China'10 de janeiro, 2006 | Notícias Coréia do Norte impõe condição a fim de atividades nucleares20 de setembro, 2005 | Notícias Crise nuclear do Irã e da Coréia deve se arrastar11 agosto, 2005 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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