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Atualizado às: 11 de agosto, 2005 - 10h07 GMT (07h07 Brasília)
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Crise nuclear do Irã e da Coréia deve se arrastar

Técnicos iranianos na planta nuclear de Isfahan
Irã retomou atividades nucleares após falta de acordo com europeus
Para a frustração de negociadores europeus, o Irã cumpriu o que prometeu e retomou nesta semana as atividades do seu programa nuclear. Enquanto isto, a Coréia do Norte prossegue a todo vapor o seu projeto. Negociações multilaterais nas duas crises nucleares novamente empacaram.

A rigor nunca tiveram avanços significativos. Incentivos econômicos e garantias de segurança se revelam insuficientes para dissuadir os dois países a abrir mão de suas ambições, enquanto a contrapartida de ameaças tampouco se mostra efetiva.

É um quadro pouco promissor e a cada dia mais dramático. A questão é se existem possibilidades para uma postura mais agressiva para a quebra do impasse.

As indicações são de que as duas crises têm o potencial de se arrastar. Em meio a lances teatrais em que dizem se sentir insultadas e humilhadas com as propostas apresentadas pela França, Alemanha e Grã-Bretanha, com o beneplácito americano, as autoridades iranianas acenam com a continuação das conversas com a trinca européia.

Isto ajuda a explicar a relutância dentro da Agência Internacional de Energia Atômica por uma escalada da crise, levando o caso para o Conselho de Segurança das Nações Unidas com vistas a sanções.

Coréia do Norte

Já no caso norte-coreano, as portas diplomáticas tampouco estão fechadas. As negociações que envolvem, além das duas Coréias, os EUA, China, Japão e Rússia, deverão ser reiniciadas em três semanas.

São duas crises graves e complicadas, nas quais Irã e Coréia do Norte fazem exigências similares no sentido de que têm o direito de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. São alegações que devem ser recebidas com ceticismo. Os norte-coreanos inclusive já anunciaram ter a bomba, embora nunca tenham feito um teste.

Já os iranianos, privilegiados por reservas espetaculares de petróleo e gás, insistem que seu programa nuclear tem a mera intenção de dar ao país uma nova fonte de energia e nada mais.

É verdade que os inspetores das Nações Unidas não encontraram evidências de um programa de armas, mas a escala do empreendimento e sua natureza clandestina alimentam as suspeitas. Como lembrou a revista The Economist na edição desta semana, o Irã tem um histórico de 20 anos de "mentiras, acobertamentos e evasões" no seu programa nuclear.

Os Estados Unidos também alimentam a crise. O propósito da administração Bush é alterar as regras do jogo e impedir que países não nucleares na contramão dos seus interesses desenvolvam a energia nuclear com qualquer tipo de fim.

O argumento é que o Tratado de Não-Proliferação Nuclear está falido e suas ambigüidades estão sendo usadas com propósitos escusos pelo Irã. O caso da Coréia do Norte é diferente pois o país abandonou o tratado em 2003. Pelo tratado, os beneficios da tecnologia nuclear estão disponíveis para fins pacíficos para os membros signatários. No mês passado, Washington anunciou que vai ajudar a Índia (um aliado cada vez mais íntimo) a gerar energia nuclear embora o país nunca tenha firmado o tratado.

Diante do estágio mais avançado do programa norte-coreano, o governo americano exige que o regime comunista abra mão totalmente do seu poder nuclear, mas no caso iraniano, junto com os europeus, os americanos dão um pouco de margem desde que o país interrompa todos os esforços para produzir o seu próprio combustível nuclear, o que Teerã considera inaceitável.

As negociações com a Coréia do Norte e o Irã se revelaram até agora infrutíferas, mas com seu endosso, embora relutante, à via diplomática, o governo Bush espera ter obtido capital político para convencer a comunidade internacional a adotar medidas mais duras contra Pyongyang e Teerã. Este dia ainda não chegou, mas não falta combustível para alimentar as duas crises.

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