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Triunfo de conservador no Irã põe Bush à prova | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Há um certo alívio entre "falcões" dentro e fora do governo Bush com a espetacular vitória de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais iranianas. As linhas duras se encontram, o que ajuda a explicar esta bizarra preferência. Para a linha dura (em Washington), hoje mais do que nunca representada pelo vice-presidente Dick Cheney, uma eventual vitória do ex-presidente Ali Hashemi Rafsanjani iria confundir e exacerbar as divisões dentro dos EUA sobre como, em termos mais amplos, conter o Irã e, mais imediatamente, o que fazer na crise nuclear com o regime xiita. Os "falcões" são adeptos da teoria do quanto-pior-melhor. Estimam que o triunfo da linha dura em Teerã é efêmero e que irá apenas acelerar o colapso do regime xiita. Na campanha eleitoral, Rafsanjani fizera alguns acenos pragmáticos. A possibilidade gerou um debate se janelas diplomáticas poderiam ser abertas com o seu eventual retorno ao poder. No final das contas, o debate foi uma distração, pois tanto Washington como capitais européias foram pegas de surpresa com a margem de vitória de Ahmadinejad. 'Confrontos' Agora a sabedoria convencional reza pela cartilha do jornal The New York Times que, em análise no domingo, advertiu que vem aí um "longo e quente verão de confrontos" com o Irã, que deverá acontecer simultaneamente ao agravamento das tensões com a Coréia do Norte, outro país com ambições nucleares e o outro integrante do "eixo do mal" batizado pelo presidente Bush. Para os americanos, não refresca muito a retórica pós-eleitoral de Ahmadinejad prometendo um governo de "paz e moderação", além de um programa nuclear sem fins militares e a continuação das negociações com os europeus. Por esta visão mais fatalista, agora fica reforçado (para não fizer cristalizado) o ceticismo dos setores em Washington que nunca apostaram nos esforços europeus (Grã-Bretanha, França e Alemanha) para persuadir, em excruciantes negociações, o Irã a abrir mão do seu projeto de enriquecimento de urânio - uma etapa vital em um programa nuclear -, em troca de incentivos econômicos e de segurança. Além de surpresa com o resultado eleitoral, há alarme nas capitais européias. Kenneth Pollack, um dos mais conhecidos analistas das crises do Golfo Pérsico, diz que "falcões" americanos avaliam que agora será mais fácil convencer os europeus que não há muito o que conversar com Teerã. O negócio seria levar a questão nuclear para as Nações Unidas com vistas a sanções econômicas, para não dizer coisa mais virulenta. São opções draconianas que também alarmam os europeus. De fato, os europeus estão diante de opções ingratas. Karim Sadjadpour, analista de questões iranianas do International Crisis Group, baseado em Bruxelas, é taxativo. Ele avalia que as "portas estão fechadas" nas negociações nucleares. É verdade que a questão nuclear não é responsabilidade primária do presidente iraniano, mas o triunfo de Ahmadinejad consolida o controle da política externa nas mãos do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, avesso a aberturas para os países ocidentais e que nutre muita suspeita do governo Bush. Opções ingratas Mas as opções em Washington também são ingratas, apesar dos votos de sucesso expressados pelos "falcões" para a linha dura em Teerã. O governo Bush carece de uma posição coerente em relação ao regime xiita. Em parte, a Casa Branca engoliu a fórmula européia de negociações nucleares para ganhar tempo. Allen Keiswetter, analista do Middle East Institute, em Washington, prevê que os advogados nos EUA de um engajamento diplomático com o Irã vão argumentar por um compasso de espera, algo que talvez seja conveniente para o governo Bush, amarrado na crise iraquiana. Por ora, é mais fácil para o governo Bush martelar na tecla de que existe um descompasso democrático no Irã. |
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