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Conservador surpreende e embola 2º turno no Irã | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os conservadores iranianos chegaram bem mais longe do que se esperava nestas eleições. O prefeito linha dura de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, já surpreendeu ao ter conseguido passar para o segundo turno e agora chegou empatado nas pesquisas com o ex-presidente moderado Akbar Hashemi Rafsanjani. Alguns analistas ainda apostam na vitória de Rafsanjani, argumentando que quem votou para candidatos reformistas no primeiro turno não vai, de jeito nenhum, apoiar Ahmadinejad, o atual prefeito de Teerã. No entanto, as pesquisas eleitorais apontam uma disputa apertada, que estaria colocando em campos opostos dois grupos: os mais pobres votando para Ahmadinejad, e as classes média e alta preferindo Rafsanjani. Há também muitos reformistas fazendo campanha para que os eleitores boicotem a votação. Está nesse grupo a advogada Shirin Ebadi, que ganhou em 2003 o prêmio Nobel da Paz por seu trabalho na área de direitos humanos. "Os votos que vêm das urnas só são válidos se tiverem se originado em eleições livres. Podemos dizer que o regime de Saddam Hussein era legítimo ou que as eleições não tinham problemas só porque ele recebeu 99% dos votos?", disse Ebadi em uma recente entrevista à agência de notícias France Presse. Presidência Os iranianos que vão boicotar as eleições duvidam não só da honestidade do pleito mas também questionam qual o poder real de um presidente cujas decisões podem ser vetadas pelo Conselho de Guardiães, o órgão religioso, comandado pelo aiatolá Ali Khamanei, que detem o poder supremo no Irã. "A importância e o poder da Presidência dependem de quem vai ser eleito. Um político forte e conhecido pode conseguir enfrentar o Conselho de Guardiães, que está cada vez mais pressionado por reformas", avalia o analista de política do Oriente Médio do jornal egípcio Al-Ahram, Fahmi Howady. Para ele, Rafsanjani poderia ter tal força porque é um clérigo, já presidiu o Irã entre 1989 e 1997, e tem o respeito de muitos conservadores, embora hoje esteja no campo moderado. "Acredito que Rafsanjani teria mais força para promover reformas do que tem o (atual) presidente Khatami", disse. Howady diz que não acha que seria este o caso de Ahmadinejad, um político pouco conhecido que foi recentemente indicado pela linha dura islâmica para ser prefeito de Teerã e surprendeu ao conseguir passar para o segundo turno, contrariando as pesquisas de intenção de voto feitas antes da disputa. "Acredito que a liderança (religiosa) iraniana prefira Ahmadinejad porque assim eles manteriam todo o poder", disse. Conservadores e reformistas Embora durante seu período na presidência Rafsanjani tenha sido classificado de conservador, atualmente ele é considerado um moderado que vai apoiar reformas exigidas pela sociedade iraniana. "O primeiro ponto é que com Rafsanjani na presidência provavelmente teremos nos próximos quatro anos um governo semelhante ao da primeira presidência dele, que terminou em maio de 1997. Mas na verdade o clima cultural, social e econômico do país mudou muito nestes últimos anos e não é mais possível voltar àquela época", escreveu em editorial nesta quinta-feira o jornal reformista Aftab-e Yazd. Mas os conservadores atacam Rafsanjani dizendo que ele está contando agora com o apoio de reformistas que não necessariamente concordam com suas idéias. "O apoio a Rafsanjani é heterogêneo e muita gente só está com ele para derrotar a facção rival. São os mesmos grupos que foram inimigos dele durante as últimas duas décadas", escreveu o jornal Jomhuri-ye Eslami, da linha dura conservadora. Moderação Mas mesmo Ahmadinejad tem buscado fazer algumas declarações mostrando moderação para ampliar sua base eleitoral. Em uma recente entrevista ele rejeitou rumores de que iria obrigar as mulheres iranianas a andarem cobertas com véus dos pés à cabeça. "Temos coisas mais importantes para nos preocuparmos hoje no Irã do que como as pessoas se vestem", disse o político. "As pessoas que estão ansiosas por uma boa administração podem acabar votando neste candidato", disse o embaixador brasileiro em Teerã, Luiz Antônio Fachini Gomes. Mas o diplomata diz que os eleitores estão prestando também muita atenção nos temas iranianos que atraem interesse no mundo inteiro, como os direitos das mulheres e o uso da energia nuclear. "Mas há também preocupação com temas domésticos como a luta contra a corrupção, a melhora da economia, a redução do desemprego e, num segundo plano, o combate à criminalidade e à pobreza", disse o diplomata. |
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