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Entenda o que está em jogo nas eleições no Irã | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cerca de 47 milhões de iranianos maiores de 15 anos foram registrados para votar nas eleições presidenciais. Chegaram à disputa do segundo turno o prefeito de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, e o ex-presidente do Irã Akbar Hashemi Rafsanjani. Pesquisas de opinião na véspera do pleito de sexta-feira indicavam um empate entre os dois. O resultado é imprevisível e observadores estão atentos às idéias do futuro presidente a respeito do programa de armas nucleares do país, do conflito no Oriente Médio e das reformas no país. Leia a seguir algumas perguntas e respostas sobre a disputa na República Islâmica. O que está em jogo? A Presidência do Irã, ocupada desde 1997 pelo reformista Mohammad Khatami. O cargo não é o mais importante na hierarquia de poder iraniana. O líder supremo, atualmente o aiatolá Ali Khamenei, possui mais poderes.
Ele é o comandante supremo das Forças Armadas e tem a palavra final em assuntos políticos. O presidente é eleito por quatro anos e pode cumprir até dois mandatos consecutivos. Seu dever é o de assegurar que a Constituição será respeitada. Após ser aprovado pelo Parlamento, o presidente eleito nas urnas aponta um Conselho de Ministros e coordena seu trabalho. É ele quem decide que políticas do governo serão submetidas ao Parlamento. Quem são os candidatos? Akbar Hashemi Rafsanjani, de 70 anos, descrito como um "conservador pragmático" tem sido uma figura dominante na política do Irã desde os anos 1980. Ele foi presidente da República Islâmica entre 1989 e 1997, período em que buscou uma reaproximação entre Teerã e o Ocidente. Apesar de pertencer ao clero islâmico que controla o país, Rafsanjani tradicionalmente se mostra aberto a inovações. Ele diz estar disposto a negociar sobre o programa nuclear iraniano, mas ressalta que "não vai aceitar ameaças nem imposições" dos Estados Unidos. Poucos conheciam Mahmoud Ahmadinejad, de 48 anos, ex-integrante da Guarda Revolucionária, quando ele foi nomeado prefeito de Teerã em 2003.
Quando entrou na disputa do primeiro turno da eleição presidencial, seu nome também não figurava entre os favoritos. Ele ficou em segundo lugar entre os sete candidatos, o que levou os reformistas a denunciar uma possível fraude organizada pelos conservadores para favorecê-lo. A suspeita dos reformistas era que o poderoso clero conservador teria usado sua influência nas mesquitas para apoiar a sua campanha. À frente do governo na capital do país, Ahmadinejad se empenhou em desfazer as reformas realizadas pelos moderados que o antecederam no cargo. Ele fechou restaurantes de redes de fast-food e obrigou os funcionários públicos municipais a usar barba e vestir roupas de mangas compridas. A sua posição sobre o programa nuclear preocupa os Estados Unidos e a União Européia. "Eles não vão nos deixar avançar facilmente, mas não devemos nos render à vontade deles", afirma o candidato em seu website. Como funciona o sistema partidário iraniano? Ainda não há partidos com grande apoio popular no Irã. Os partidos políticos em geral são descritos como “associações de pessoas que pensam do mesmo jeito”. Os candidatos em geral não se apresentam como representantes de alguma agremiação política. Mas eles tentam conseguir o apoio do maior número possível de grupos. Rafsanjani conseguiu o apoio de partidos políticos formados por ex-membros do governo durante seu mandato como presidente. Por falta de opção, os reformistas, que se opõem duramente a Ahmadinejad, estão pedindo votos em Rafsanjani. O prefeito de Teerã é apoiado por um grupo mais jovem, revolucionários de segunda geração conhecidos como Abadgaran (Desenvolvimentistas), que são uma das forças no Parlamento iraniano (conhecido como Majlis). Quais os riscos de haver fraude no segundo turno? Políticos reformistas, entre eles candidatos derrotados no primeiro turno, acusam os conservadores de terem fraudado as eleições para favorecer Ahmadinejad. Após as reclamações, o Conselho dos Guardiães – órgão controlado pelos conservadores que atua como poder moderador – autorizou uma recontagem parcial de votos, de apenas cem urnas, e disse que as denúncias de irregularidades não foram comprovadas. Nesta quinta-feira, o Irã anunciou a prisão de 26 pessoas, entre elas um militar, suspeitas de terem participado de esquemas para alterar os resultados. A agência de notícias estatal Irna disse, citando dados do Ministério do Interior, que foram registrados 104 casos de violações eleitorais no primeiro turno. Integrantes das forças de segurança – controladas pelos conservadores – estiveram envolvidos em 44 dessas ocorrências. Apesar disso, o Conselho de Guardiães afirma que tem a capacidade de promover eleições limpas e justas e por isso não há necessidade de observadores estrangeiros no país. O controle total exercido pelo órgão é o principal motivo por trás de críticas feitas por entidades de defesa dos direitos humanos, que dizem que a eleição não poderá ser nem livre nem justa. |
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