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Jovens iranianos se arrependem de boicote às eleições | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os bares não-oficiais de Teerã estão entre os poucos lugares no Irã em que é possível encontrar jovens fazendo coisas típicas de sua idade. Em vez de bebidas alcoólicas, o que mais se vende nestes lugares são bolos e frapês, mas o local funciona como um ponto de paquera e – ultimamente mais do que nunca – um fórum de discussões políticas. Mas, na noite de sexta-feira passada, após o primeiro turno da eleição presidencial, a atmosfera no bar de Fereydoun, um iraniano de 38 anos, não era nada animada.
“Acho que cometemos um grande erro”, disse Amir, de 18 anos, que estava tomando um suco de melancia em um destes estabelecimentos. “Mostafa Moin (um candidato reformista) nos avisou que, se boicotássemos a eleição, estaríamos abrindo caminho para uma era negra de totalitarismo. Parece que ele estava certo.” Salão vazio Depois da apuração, só cinco pessoas continuavam no bar. Detrás de um balcão de bebidas improvisado, um aparelho de som tocava clássicos do soul para tentar reduzir a tensão. Mas o resultado do primeiro turno, que havia sido acompanhado pelo rádio, ainda ecoava no salão. “Antes você não conseguia se mexer, de tanta gente que estava aqui acompanhando a apuração pelo rádio”, lembra Fereydoun. “Quando eles anunciaram que Mahmoud Ahmadinejad havia passado para o segundo turno, as pessoas começaram a ir embora.” “Foi como se elas esperasse que ele pudesse aparecer a qualquer momento e fechar o local.” Linha-dura Muitos acreditam que foi um boicote dos liberais reformistas que ajudou Ahmadinejad, o prefeito de Teerã, considerado um conservador linha-dura, surpreendesse e chegasse ao segundo turno. Em uma eleição em que até famosos conservadores estavam tentando se passar por defensores dos direitos das mulheres, Ahmadinejad foi o único que não fez o menor esforço para tentar agradar os eleitores mais liberais. Sua campanha se caracterizou por uma retórica extremista – ele prometeu, por exemplo, “cortar as mãos” de corruptos e disse que o Irã “não fez uma Revolução (a Islâmica, de 1979) a fim de implantar uma democracia”. Nesta sexta-feira, o prefeito de Teerã vai disputar o segundo turno com o ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, considerado um político centrista. Fereydoun aposta que muitos dos jovens que se abstiveram na sexta-feira passada “por não se identificar com nenhum candidato” desta vez vão votar. “O futuro deste lugar pode depender disso”, disse o proprietário do bar. |
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