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Atualizado às: 17 de junho, 2005 - 20h39 GMT (17h39 Brasília)
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Governo estima em 55% comparecimento nas eleições do Irã

Eleitor com sua filha deixa local de votação em Qom, no Irã
Campanha presidencial foi apática e esperava-se alta abstenção
Depois de um dia de grandes filas, em que as autoridades ampliaram por duas vezes o prazo de votação – num total de 4 horas – terminou às 23h (local, 15h30 em Brasília) a eleição presidencial do Irã.

Imagens das TVs iranianas e declarações do ministro do Interior do país sugerem que a participação de eleitores teria sido alta. Os resultados oficiais devem ser divulgados no sábado.

Um porta-voz do ministério do Interior disse à agência de notícias AFP que o comparecimento foi estimado em 55% dos 47 milhões de eleitores registrados.

O comparecimento às urnas era um dos pontos-chave de uma eleição realizada em meio a uma certa apatia da sociedade iraniana, preocupada com problemas econômicos ou decepcionada com a lentidão nas reformas prometidas pelo presidente Mohammad Khatami.

Durante o dia, tanto o presidente Khatami como o líder supremo aiatolá Ali Khamenei – que detém o poder de fato no país – deram declarações incentivando os cidadãos ao voto.

Mas o embaixador do Brasil em Teerã, Marcos Antonio Facchino Gomes, diz que antes das eleições muitos diziam que não votariam.

“É verdade que as filas nas ruas e as imagens nas TVs sugerem que muita gente foi votar, mas acho que ainda é um pouco cedo para afirmar isso com certeza. Muita gente também estava deixando claro que não pretendia votar”, disse o diplomata.

Segundo turno

A opinião consensual é de que o favorito nesta disputa é Hashemi Rafsanjani, que já foi presidente do Irã entre 1989 e 1997. No entanto, se ele não conseguir levar mais de 50% dos votos depositados nesta sexta-feira, vai ter que partir para o segundo turno.

Se a disputa continuar, analistas dizem que o reformista Mustafá Moin e o conservador Mohammad Bagher Qalibaf são os dois principais candidatos à segunda vaga.

Quando, há oito anos, o presidente Mohammad Khatami foi eleito o interesse dos iranianos nas eleições era bem maior. A expectativa, principalmente dos jovens, era grande com a possibilidade de terem um presidente reformista que prometia grandes mudanças.

Mas as reformas se provaram muito difíceis e diversas foram barradas pelo Conselho de Guardiães, órgão conservador religioso que supervisiona as decisões do Parlamento.

Nestas eleições, por exemplo, o Conselho barrou a presença de diversos candidatos reformistas e também não permitiu que nenhuma mulher se candidatasse.

A expectativa no país é, porém, de que as reformas continuem de qualquer maneira, mesmo que em velocidade ainda incerta.

"A sociedade iraniana quer mudanças. Mesmo os candidatos conservadores estão falando em reformas, não só os reformistas", diz o editor de política do jornal moderado Teeran Times, editado em inglês na capital iraniana, Mohamed Saki.

O embaixador do Brasil em Teerã acredita que o processo de mudança iniciado no país é "irreversível".

"Andando nas ruas ou conversando com as pessoas a gente sente esse movimento pelas reformas aqui dentro do país. É muito difícil haver uma volta atrás e o momento parece de mais abertura e de consolidação desta abertura", disse o embaixador Fachini Gomes.

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